quinta-feira, 22 de junho de 2017

Prelúdio - Ato 015 - A Senhora das Águas


Um ano antes da derradeira vitória de Atena sobre Poseidon nasceriam três gerações de soldados para a confraria de Atena. Territórios de Atena iam sendo retomados pouco a pouco, e a vila de Graad foi um desses locais.

Na região da Sibéria, das águas geladas do mar ártico saiam grandes grupos de marinas. Ariadne de Cisne, recém consagrada Amazona de Bronze, os combatia, mas a velocidade com a qual saiam do mar ameaçava a segurança da vila de Graad, localizada a quilômetros dali.

Com muita agilidade Ariadne derrubava grupos inteiros com apenas um golpe, mas depois de muito tempo lutando solitária se esvaiam suas forças e tudo parecia perdido.

Quando a invasão parecia inevitável eis que surge a leste uma grande massa de ar frio, os marinas viram estátuas de gelo e em seguida pó. O mar virou uma pista de gelo, forçando o recuo das forças de Poseidon.

Chegara Aria de Aquário para ajudar. Ariadne olha para ela e sorri.

— A Amazona de Aquário ...

Séria como de costume, Aria demonstra preocupação com sua companheira amazona.

— Estás bem Ariadne?

Apesar do tempo, era nítido que a Aria mudara muito pouco.

— Sim. Responde a jovem amazona.

— Observava tua performance. Continua Aria. — Tens força de vontade e lutas com amor, mas é necessário que eleves teu nível de cosmo. Teu ar frio pode ser derrotado, caso enfrentes alguém mais forte.

A amazona de Bronze atenta e respeitosa pela posição de Aria, compreende suas palavras e sinaliza positivamente com a cabeça.

— Treinarei mais!

Ariadne lembra-se de um tempo atrás, pensa em voz alta e resmunga.

— A Senhora das Águas.

Aria se surpreende com o que acabara de ouvir.

— Senhora das Águas ... Pensa.  — Há tempos não ouvia esta frase.

À mente da amazona dourada pairam lembranças, algumas doces e outras nem tanto.

UM ANO ATRÁS

Sentados em volta de uma antiga fonte, ao centro da vila de Graad - leste da Sibéria -, Aria, uma jovem moradora do local há por volta de dois anos, junto a algumas crianças brincava. Aria tinha o dom especial de transformar água em gelo, e naquele momento brincava com seu poder para a admiração de todos.

— Como você faz isso? Curiosa, pergunta a pequena Ada.

— Isso é muito legal!  Faz um pra mim também. Pediam as crianças.

Mas seu dom não era bem visto por algumas pessoas mais antigas da vila.

— Venha aqui Ada! Diz uma senhora. — Saia de perto dessa bruxa. Não é bem vinda aqui! Volte para o lugar de onde veio! Moça estranha!

Outras mães surgem e levam seus filhos, mas uma menina um pouco maior que as outras, aparentemente uns cinco anos mais nova que Aria permanece.

— Por que você não vai também? Pergunta Aria.

A menina abre um largo sorriso.

— Porque não quero. Afirma a menina.  — Gosto de teu dom. Gostaria de ter um igual ao teu. Gostaria de ser especial em alguma coisa, como você é ... “A Senhora das Águas”. O que você acha do nome?

Aria se encanta com a inocência da menina.

— Legal. Responde Aria. — Não me acha uma “bruxa”? Intrigada pergunta Aria.

A menina olha com carinho para Aria.

— Não. Responde. — Só acho que deverias sorrir mais.

Aria sorri depois de conselho de tão jovem pessoa.

— Fica mais bonita. Continua a menina. — Olhe só.

A menina aponta o espelho de água da fonte e Aria se vê sorrindo.

— Gosto de você. Diz a menina. — Pena que nunca sorri.

Acalentada pelas doces palavras, Aria agradecida mostra sua admiração.

— Obrigada. Diz Aria.— Também gosto de você. É simpática. Mas, qual o teu nome?

A menina inocente brinca.

— Meu nome ... Começa a menina. É quase tão bonito quanto o teu. Me chamo Ariadne.

A mãe da menina a chama e ela corre em sua direção.

— Aria, a “Senhora das Águas” ... É minha amiga. Diz a menina correndo.

A mãe de Ariadne olha para Aria, e amistosamente acena e sorri. Aria fica ali pensativa em tudo que ouvira.

Os dias passam e as forças de Poseidon chegam a vila. Os homens e jovens deixam as mulheres e crianças abrigadas nas casas, e ao barulho do grande sino pegam suas ferramentas de trabalho para defender sua terra natal. Em meio a mobilização, ainda sem saber o acontecia Aria é interpelada por um senhor que partia para batalha.

— Saia daqui. Procure um abrigo. Os monstros vindos do mar estão invadindo a vila. Proteja-se, querida!

Atordoada Aria vê uma criança encolhida perto da fonte e apavorada com todo o barulho e movimento. Aria a reconhece. É Ada, a menina cuja mãe a chamou de bruxa.

— Venha comigo pequena! Diz Aria.

A menina a reconhece e mostra total confiança.

— A moça do gelo. Diz a menina abraçando-a a forte.

Aria, admirada pela confiança demonstrada pela menina, sorri, agindo imediatamente.

— Vou te levar pra casa. Sobe no meu colo. Acolhe a menina Aria.

Ao se aproximar da casa ela vê a mãe da criança aos prantos, mas ao ver a filha nos braços de Aria um brilho de alívio surge em seus olhos.

Ela solta a menina, e quando a criança já está nos braços da mãe Aria dá as costas e segue embora. A mãe da menina a interrompe.

— Espere! Por favor! Obrigada por salvar minha menina. Desculpe o que disse para você. Salve a vila. Use seu poder. Sei que podes ajudar. Te peço ... Senhora das Águas!

Agora mais intrigada do que nunca, Aria para e volta seu olhar a senhora.

— Onde ouviu isso? Indaga Aria surpresa.

A senhora, visivelmente humilde, responde.

— Ouvi a menina Ariadne dizer. Que não era uma “bruxa”, mas a “Senhora das Águas”. Que um dia seria como você e salvaria alguém. As crianças com sua inocência sabem ler a alma das pessoas. Se ela viu em tua alma a esperança, eu acredito nisso. Eu confio em você.

Os marinas avançam mais e mais e não sucumbem às rústicas ferramentas dos moradores da vila que recuam.

O homem retornando vê que Aria continua no mesmo local que outrora vira.

— Volte menina! Diz ele. Não deverias estar aqui. Eles são muitos. Não conseguiremos vencer.

Aria, certa de que poderia fazer algo, movimenta teus braços e uma cortina de neve varre a entrada da vila em direção aos inimigos.

Os homens viram-se e ao dissipar da nuvem de gelo veem que os “monstros do mar” viraram estátuas de gelo, e uma delas se esfarela diante seus olhos.

Surpresos com o ocorrido olham para Aria e partem ao campo de batalha destruindo as estátuas de gelo restantes. O homem que outrora dissera a Aria que se abrigasse, com um movimento de mão cede a jovem a liderança do grupo.

Um corredor se abre e Aria passa sob o olhar confiante de todos.

— Vamos! Diz o homem. Essa é nossa terra! Temos a Senhora das Águas do nosso lado! Vamos lutar!

Aria levanta a névoa de gelo trecho a trecho, e os homens e jovens destroem a estátuas de gelo.

Os marinas recuam para o mar. Todos retornam felizes com a agradável sensação de vitória.

Aria passa a ser aclamada como “Senhora das Águas” e torna-se amada por todos, contando com a confiança de todas as mães ao brincar com seus filhos.

Por teu feito Atena chega a vila em busca de Aria. Aria parte com a deusa à Atenas.

Na ausência de Aria, apesar da esperança e grande garra dos moradores da vila, esta sucumbe ao segundo ataque de Poseidon, dias depois de sua partida.

Aria, bem longe da vila, sente que algo errado ocorrera a vila. Com a permissão de Atena e acompanhada volta àquelas terras geladas. A vila em destroços tinha apenas três sobreviventes: Ada, sua mãe e Ariadne.

Aria chega perto da fonte, mantida intacta pelos marinas, e apavorada pela devastação causada pelo inimigo ouve uma voz. Olha em volta e descobre vir de uma pilha de escombros próximo dali. A casa de Ada.

— Aria ... Aria ... Aqui! Diz a voz.

Aria vê uma mão ensanguentada movimentando-se em tua direção.

— Senhora das Águas ...

Aria revolve os escombros e vê as três sobreviventes.

— Lutamos ... Diz a senhora. — Resistimos ...  e quase vencemos. Mas do mar veio um demônio. Usava uma armadura amarelada, que só em mexer os braços acabou com tudo. Não tivemos chance contra ele.

A senhora tosse, e o sangue que sai de sua boca mostra seu estado de saúde.

— Consegui me esconder aqui, mas não resistirei ... Cuide de minha filha e de Ariadne. Sua família foi dizimada.

Empenhada em salvar a todos, inclusive a senhora, Aria se levanta.

— Não. A senhora vai viver. Buscarei ajuda. Retruca Aria.

Sabendo de seu destino, interrompe Aria a senhora.

— Não. Não vá. Diz a senhora puxando Aria pelo braço. — É perigoso. Salve as crianças.

A senhora tosse uma última vez.

— Elas são protegidas dos céus, pelas constelações de Cisne e Aquário. Elas são especiais. Cuide delas! Senhora das Águas ... Eu te rogo.

A senhora tem uma taquicardia e suspira.

— Vejo uma jovem de branco. Diz. — Um anjo? Ela pega minha mão ... e toca minha testa. Será um sonho?

Tranquila e certa do que era tal visão sorri Aria, com uma imagem a mente.

— Atena! Conclui Aria. — A senhora está em boas mãos. Está salva.

As meninas olham para Aria com um singelo brilho nos olhos. A confiança estava estampada nos sorrisos de Ada e Ariadne, que apesar da morte ao lado permaneciam calmas.

— Atena! Diz Ada. — Mamãe se foi com Atena.

O espírito de Atena olha para as meninas e sorri, enquanto ascende aos céus com a mãe de Ada.

Ada dá a mão a Aria, que sorri e pega a mão de Ariadne seguindo ao que seria a nova casa das meninas. Sig e Anryu as esperavam. Sig brinca com Ada que a ele sorri. Uma pequena embarcação os aguarda e todos seguem na longa jornada a Atenas. Anryu brinca com maçãs e diverte as meninas. Sig pilota o barco, e Aria a proa pensa no destino e seus artifícios, por vezes cruéis.

DE VOLTA

Os grupos de marinas foram derrotados, e as amazonas, nostálgicas com a história e energia do local estavam felizes pelo reencontro, mas uma forte onda de cosmo varre o continente advinda do mar.

Algo mais reservara aquele dia para o exército de Atena.


A MORTE LIGANDO PARA SEMPRE TRÊS DESTINOS. UMA NOVA CHANCE DE VIDA EM NOME DE ATENA.

sábado, 27 de maio de 2017

Capítulo 021 - Amazona e Aura



Os meses passam e Riana, uma das mais novas recrutas, de origem desconhecida, se destaca nas fases iniciais do treinamento. Pouco se sabia de sua constelação guardiã, mas que seria uma grande amazona não se tinha dúvidas.

O desejo de Riana de rever sua família era revertido em determinação de sagrar-se amazona de Atena, e futuramente proteger toda a sua localidade dos mercenários que por ali viviam.

VILA DE GALES

A vila de Gales era um local pacato. Como terra de camponeses, seus habitantes viviam junto ao bosque com a colheita de grãos, sementes, caça e extrativismo da exuberante floresta repleta de espécies alimentícias e curativas.

Pouco depois dos confrontos contra os soldados que vinham do mar e retomada da ilha, muito havia para ser reconstruído. O clima era bom até o momento que um grupo de mercenários surge garantindo proteção e cobrando altos preços pra isso.

Além da cobrança de porcentagens e até mesmo porções inteiras de alimentos e caça, os mercenários levavam as mulheres e meninas como pagamento. Quem aceitava dar suas filhas, pressionado pela violência física e psicológica que sofriam, nunca mais as viam.

Eles viviam na parte densa da floresta, na porção que seguia por dentre as colinas distantes. Nesse local ninguém ousava entrar. Os que se propunham a caçar nessa região não retornavam, e as cabanas de caça estavam abandonadas.

Com a saída de Riana, dada aos mercenários como pagamento, e de sua partida com a mulher do exército de Atena, Gales vivia em paz. Desse momento de alegria já havia se passado dois anos.

Os Mercenários foram expulsos pelas famílias, que rejeitaram sua “proteção” em tempos de paz.

Na mata fechada, envoltos pelo esquecimento que o tempo trouxera, um grupo de mercenários resolveram voltar em breve a Gales. Em especial pretendiam visitar uma residência, a do Sr. Paul.

TEMPO PRESENTE

Estava tudo organizado e a tropa de mercenários desce mata afora pela madrugada.  Todas as casas foram abordadas, e para a residência do Sr. Paul haviam cinco homens cercando a casa por todos os lados.

A senhora Rita e o Sr. Paul foram isolados, e dois homens procuravam pelas jovens Maria e Annie.  As jovens magras e de cabelos castanhos estavam tão formosas quanto a irmã na mesma idade.

As meninas se esconderam no porão, e de lá podiam ver a movimentação nas ruas. O que se via eram grupos de três homens invadindo cada casa da vila. Gritos de mulheres eram ouvidos, e o cenário era do completo terror de dois anos atrás.

A situação caótica fez Maria se enfurecer, e em volta de seu corpo surgiu uma luz azulada. Ela se levantou, e pela porta do porão foi derrubando um a um dos quatro homens que ali estavam.

Ela salva seus pais, e sai de casa em casa provocando o terror dessa vez entre os mercenários. Os que percebiam fugiam, mas Maria estava no limite de suas forças e cai.

SANTUÁRIO

A onda de cosmo emanada por Maria atinge diversas pessoas sensíveis do Santuário, em especial Rivia pelos laços familiares.

Temendo pelo pior, visto a súbita interrupção da transmissão de cosmo, Luge identifica como conhecido o rastro deixado pelo cosmo, e buscando Sarah parte para aquelas terras.

VILA DE GALES

Os mercenários, que se beneficiavam do caos causado e da debilidade da maioria dos moradores, vê a necessidade da retirada pela aproximação de Maria. Com a queda da jovem os planos incluem levá-la as áreas mais altas, visto o levante popular que se construía, quando um novo despertar de cosmo ocorre.

A luz emanada por Annie, como flecha cega a todos. O clarão se dissipa em pequenos pontos luminosos que queimavam os agressores como lava vulcânica. Maria estranhamente se encontrava de pé, como se não houvesse caído há momentos atrás esgotada.

Os mercenários estavam atônitos, quando dois clarões de luz surgem do nada, como um portal para outro mundo. Luge e Sarah surgem em meio a todos, e um grande impacto é sofrido por todos os invasores. A grande pressão por todo o corpo fazem todos perderem a consciência. A técnica de Luge elimina toda a ameaça a vila de uma só vez.

Annie também fica esgotada, mas antes de cair é amparada por Maria. Segundos antes de apagar por completo a menina sorri ao se ver nos braços de Maria.

— Eu te protegi.  Balbucia Annie. — Eu te protegi.

Luge e Sarah são reconhecidos pela família, e Luge completa.

— Você conseguiu sim. Você protegeu sua irmã.

A menina desmaia por completo com um sorriso no rosto.

Todos começam a enxergar em volta depois do grande clarão, e sorriem pela presença do casal que outras vezes ali estiveram para ajudar.

Luge pega Annie no colo, e se aproximam da casa das meninas sendo calorosamente recebidos pelo casal Rita e Paul. Luge deixa as meninas no quarto, olha para Sarah e sai. A aura sabia o que se passara na mente de Luge, e tenta contê-lo. Luge a afasta, e sinaliza que não.

No lado de fora, em meio aos tantos corpos dos invasores jogados para fora das casas, Luge vê um dos mercenários que sai atordoado dos fundos da casa de dona Rita.

O aurum sai em sua direção, mas uma voz mais atrás o contém.

— Pare Luge! Afirma. — Essa não é sua missão aqui.

Era Sig de Gêmeos que acabara de se teleportar pelo espaço-tempo.

— Mas ... Revolta-se Luge. — Senhor ... Eles matam a todos, machucam as mulheres. Eles precisam ...

Sig retruca Luge, olhando fixamente em seus olhos.

— Eu sei.  Responde. — Mas isso não é sua missão aqui. Garanta a integridade da amazona e da aura. Eu cuido do resto. Será pior do que você faria.

Luge, resignado obedece. Ele segue para a casa das jovens, onde junto a Sarah explica tudo o que viria depois, além de ajudar a arrumar a bagunça que haviam deixado.

Sig percebeu que os mercenários largados na área central da vila acordariam, e lhes aplica a técnica “Outra Dimensão”. Os que por ali estavam se assustam com o poder de Sig,.  O jeito calado o aurum não ajudavaria muito.

— Somos do exército da deusa Atena. Explica Sig aos presentes. — Lutamos por justiça, e eles terão o castigo devido. Hoje serão três filhas de Gales no exército de Atena,  ajudando a quem precisa. A luz da justiça nunca abandonará esta vila. Saibam disso.

Sig encontra com o mercenário que seria massacrado por Luge, poupado da viagem, interdimensional por um único propósito.

— Leve-me onde estão os outros mercenários. Ordena Sig.

— Não farei isso. Nunca! Retruca o homem.

— Parece que vou ter que pegar pesado com você. Alerta o aurum.

Sig inflama seu cosmo, e um grande brilho como uma flecha atravessa a cabeça do mercenário. Ele sente ser tomado pela luz, e não mais tem o controle de sua vontade.

— Tenho o controle. Anuncia Sig. — Agora me leve onde quero ir.

O homem segue mata adentro para o espanto de todos.

Luge e Sarah sentem que a tensão que trazia Sig se dissipara.

A madrugada já estava avançada e ao amanhecer as meninas seguiriam para o Santuário de Atena para se juntarem a Rivia, futura amazona de Ursa Menor, em moradia própria para as três. A casa estava localizada num vilarejo em formação nos arredores do Santuário.

O dia está nascendo, e a vila parecia respirar aliviada daquela noite tenebrosa.  Maria e Annie seguem com Sarah e Luge. Sarah estava feliz, mas Luge estava distante. Ele não tirava da cabeça a frase ouvida da própria boca de Sig: “Será pior do que você faria”.

— Que espécie de homem seria Sig. Pensava Luge, visto o que ele tinha em mente fazer com aquele invasor.

O dia amanhece e no meio da mata fechada estava Sig, oculto entre as árvores de onde se observava o quartel general dos mercenários.

Com a forte efusão dos raios de sol ficava mais visível a construção semelhante aos templos do Santuário montanha acima. Um enorme clarão na mata se via, e mais ao pé do morro havia uma espécie de campo de treinamento, como se ali se formassem cavaleiros e amazonas. Um caminho de pedra morro acima levaria a uma grande construção no ponto mais alto da clareira, um exuberante templo digno da liderança daqueles soldados.

A marionete de Sig seguia, e ninguém se importava com sua presença. Ele seguia pedra acima, e Sig podia perceber o número de guardas e as dificuldades do caminho.

Quando da chegada do mercenário a entrada de um templo mais simples, após o campo de treinamento, o controle de Sig é subitamente interrompido. Um cosmo negro poderoso emana e inunda o local. A reação de todos é de medo, pois o líder dos mercenários desceria a base da montanha.

Minutos depois um homem de porte grande, coberto com uma capa foi abrindo caminho, olhando para o ponto da mata onde se encontrava Sig e rindo alto.

— Parece que Atena está recrutando covardes agora. Zomba o líder dos mercenários. — Ratos que se escondem nas sombras.

— Seus olhos me acharam Pavão. Retruca o ainda oculto Sig. — Os percebi desde que cheguei aqui.

O homem misterioso sacode sua capa e a retira. Um brilho negro exótico reflete os raios de sol..

— Sou Lord, o Pavão Negro! Em voz alta se apresenta o líder dos mercenários. — Mas ... por que se oculta, Cavaleiro? Será de ouro ou prata. Alguém de bronze não se atreveria a vir até aqui.

Sig sai para a luz, para o clarão do sol já intensificava o dia.

— Sou Sig, mas não sou cavaleiro. Responde. — O que sou não posso dizer, mas também você não entenderia.

— Seja como for, não importa, pois estará morto nos próximos minutos. Lord estava confiante. — Assim sem proteção será muito fácil.

Sig ri, e sua crystalus começa a se montar em seu corpo.

— Nunca vesti uma armadura, e não perdi para ninguém até agora. Vamos ver como você se sai Pavão Negro.

Lord ri.

— Se viu meus olhos terá a chance única de saber o que eles podem fazer.  Comenta Lord. — Olhar de fogo! Suavemente anuncia o Pavão Negro.

Sig sente o ambiente ao seu redor subitamente aumentar de temperatura, e age rapidamente.

— Outra Dimensão!

Sig e Lord surgem no espaço-tempo para a surpresa do cavaleiro negro.

— O que é isso ... Quer me prender aqui? Zomba Lord. — Meus olhos me guiarão de volta.

Lord estava confiante na sua habilidade, mas Sig ri.

— Seus olhos não o tirarão dessa dimensão. Responde Sig. — Tente o quanto quiser.

Lord tentava conectar seus olhos, mas nada conseguia, e na vila a sensação de vigilância cessara por momentos. O cavaleiro negro estava irritado.

— Tire-me daqui. Esbraveja Lord. — Mergulho do Abismo!

A aura do pavão negro se inflama, mas nada acontece.

— Como!? Lord estava ainda mais irritado.

Sig transporta a todos de volta, a base da montanha de Gales.

— Agora que está em meus domínios você sentirá o meu poder, cavaleiro. Afirma Lord.

O cavaleiro acende seu cosmo negro, concentra, e reativa seus cem olhos espalhados por toda a vila, mas novamente nada acontece.

— O que é isso!? Esbraveja Lord. — Aconteceu de novo. Mês olhos, onde estão?

— Eles estão no mesmo lugar. Responde Sig. — Mas não pode controlá-los. Ao te enviar para a outra dimensão cortei seus laços com eles, e como eu te controlo agora são meus olhos.

— Maldito! Furioso grita Lord. — Acabarei com você agora! Mergulho do Abismo!

Lord parte para cima de Sig, numa velocidade que causa o oponente uma ilusão. Ele surge por trás do aurum e projeta os dois corpos para o alto. Repentinamente o movimento é revertido, e como numa investida contra o solo os corpos são arremessados ao chão. Há uns cem metros do solo Lord se desvincula de Sig e pousa levemente.

Lord aguarda a queda do corpo de Sig, mas nada acontece. Os segundos passam e o cavaleiro negro não entende.

Momentos depois Sig pousa ainda mais leve que Lord.

— Interessante sua técnica, pavão negro. Comenta Sig. — Mas uma técnica já vista não funciona.

— Como!? Lord não entendia. — Você não a viu!

— Eu vi.  Retruca Sig. — No vortex do espaço-tempo tudo é diferente. Eu vi sua técnica e me esquivei. Você nem percebeu. Aquela dimensão é meu território.

— Desgraçado! O cavaleiro negro estava atônito, pois não sabia como agir contra Sig.

— Mas chega disso! Dimensão! Define Sig.

Todo o pé da montanha é reconstruído numa dimensão paralela. Todos estavam assustados, mas partem juntos contra Sig.

— Coitados! Zomba Sig. — Explosão Galáctica!

Lord estava apavorado com o poder de Sig.

— Então esse é o poder de um guerreiro dourado, Sig de Gêmeos? Indaga Lord.

Sig ri.

— Você me conhecia? Brinca Sig. — Não acreditei que tinha ficado em dúvida sobre mim.  Senti seus olhos desde quando cheguei, e deixei que vissem um pouco.

— Sempre se vangloriando! Comenta Lord.

O aurum olha o ambiente e só vê o cavaleiro negro.

— Prometi a um jovem que sofreriam muito. Comenta Sig. — Parece que só falta você.

— Pensa que vencerá? Lord estava confiante. — Vi sua técnica. Vamos! Punho Negro!

— Explosão Galáctica! Libera Sig sua cosmoenergia!

Lord desvia da rajada de energia de Sig, mas o aurum aparece detrás do cavaleiro negro.

— Desculpe, mas precisei ser mais cuidadoso desta vez. Comenta Sig. — Explosão Galactica!

Sig explode a energia de seu punho nas costas de Lord. A luz ofusca tudo, e junto a luz refletida na crystalus de Lord, os olhos do pavão negro se dissipam.  A ilusão da dimensão alternativa se encerra, e pelas árvores podia-se ser o impacto dos três momentos em que Sig utilizou sua técnica suprema.

Aquela batalha estava terminada, mas o cavaleiro negro de pavão não seria o único. As pessoas estavam em perigo, e Atena precisava ser avisada.

Sig se teletransporta para casa, e os ares de paz pairavam em Gales com o dissipar do medo negro vindo da floresta e da montanha.

Os dias seguem e as pessoas, livres da vigilância e da pressão do cosmo negro de Lord adentram a floresta, encontrando um antigo templo consagrado a Atena em tempos antigos.

Sig, Teon, Lyra e Atena teriam um importante assunto a tratar. Uma nova ameaça ira por a prova a força dos cavaleiros, amazonas, aurum e auras da deusa.


A NOVA MISSÃO EM GALES TROUXE A TONA MUITO MAIS QUE RECRUTAS. A DESCOBERTA DE NOVOS INIMIGOS MOVIMENTARÁ O SANTUÁRIO NOVAMENTE APÓS A GRANDE GUERRA SANTA.

segunda-feira, 6 de março de 2017

Prelúdio - Ato 014 - A técnica selada



As lembranças de Ozir continuam a fluir, seguindo a viagem e narrativa de seu pai Oscar sobre a técnica do controle em Lemuria.

QUINZE ANOS ATRÁS

Tessalian pouco a pouco ia sendo reconstruída ainda num clima bem quente, visto a atividade recente do vulcão. 

Os controles de atividade e temperatura do monte Jutsu apresentavam valores tão baixos como nunca antes visto, e a paz reinava no lugar. 

Oscar e Saulo ajudavam na reconstrução, sempre agraciados com os cuidados das filhas do Sr. Anaor. 

Os gêmeos, dias antes, sentiram o grande poder de controlar até mesmo a lava vulcânica. Apesar do calor e conduzidos por Ankaa, eles treinavam esse “controle” com relativo sucesso. 

Com a reconstrução da província, Ankaa retornou a escola, e Melias as suas funções, deixando Saulo e Oscar sem a oportunidade de descer ao centro do monte Jutsu. 

Em uma noite estrelada Saulo sai e sentar-se a frente de casa para contemplar o céu. Marah se aproxima, e ali fica toda a noite. 

Juntos, Marah e Saulo, olhando o céu entram num tranze profundo, eles sentem cada explosão interna do sol, e cada pulso espacial emanado pelas estrelas. 

Saulo consegue perceber ao menor detalhe da dobra do espaço, sentindo a conexão entre o tempo e o cosmos. Ele experimentaria, guiado pelo suave poder telepático de Marah, algo extraordinário. 

Junto a Marah Saulo sentiu seu corpo atravessar as dobras espaciais, e repentinamente surgem no centro do monte Jutsu. O calor do monte o despertara imediatamente. 

— Opa! Surpreso expressa-se Saulo. — Por que me trouxe aqui, Marah? Indaga. 

Marah sorri. 

— Foi você que nos trouxe aqui. Responde. — Nunca antes estive aqui, mas gostei do lugar. 

Saulo ficou muito surpreso. 

— Mas . . . Se não foi você . . . como?

Marah o abraço, confortando-o. 

— Foi você, com a leveza do teu cosmo. Sorri Marah. — Eu só te deixei livre de pensamentos. O resto você fez tudo. 

Saulo nada entende. 

— Pude sentir o movimento dos astros. Pude ver se abrir uma fenda no espaço, e entrei por ela. Mas, não entendo como vim parar aqui. 

Marah o abraça mais forte. 

— Você queria estar aqui, e construiu em sua mente o destino de sua viagem no espaço. Você pode viajar pelo espaço-tempo agora. É a base de nosso teletransporte, mas nos nascemos com essa capacidade mais aflorada. 

Saulo estava eufórico. 

— Mas . . . como voltamos? Indaga assustado Saulo. 

Marah ri. 

— Fiquemos mais um pouco. Gosto daqui. Aqui pode ser nosso ninho de amor. 

Saulo aprova a ideia, e se concentra novamente. De repente eles surgem no meio do caminho. 

— Opa! Lugar errado. Brinca Saulo. 

Marah se diverte com a inexperiência de Saulo. 

— Com o tempo você melhora, meu amor. Com o tempo você melhora. 

Marah segue a seu lar, e Saulo empolgado não vê a hora de amanhecer para contar a Oscar a novidade. 

O dia amanhece, e em meio ao clima bom do café da manhã na casa de Melias, Saulo conta em silêncio tudo o que lhe ocorrera. Melias percebe algo, mas não sabe definir bem o que. 

— Enigmáticos vocês hoje rapazes. Comenta. 

Oscar ri com a situação. 

— Não liga não. Brica Oscar. — A gente é assim mesmo. Contamos tudo um para o outro com apenas um olhar. Nossa ligação é muito forte. 

Melias balança a cabeça em sinal positivo. 

— Eu percebi. Comenta. 

Encerrado o desjejum Oscar e Saulo agradecem a Katina, como feito diariamente, e partem para o trabalho na vila. 

— Estou ansioso para vê-la, Oscar. Diz Saulo. 

— Eu também. Responde Oscar. — Acabando os telhados de hoje a gente pode ir encontra-las. 

— Certo. Conclui Saulo. 

O dia passa e chega o momento do reencontro. De banho tomado e sorriso no rosto, seguem a casa do Sr. Anaor os gêmeos. 

— Olá rapazes. Cumprimenta Sr. Anaor, na calçada. — Shina e Marah os esperam. Não demorem pois elas devem ir para a cama cedo. Brinca. 

Muito belas saem pelo portão afora as filhas daquele zeloso pai de família. Eles seguem até uma gruta, local preferido das moças na infância, e onde certamente o pai as acharia. 

Para a surpresa de Marah, cada vez mais ligada a Saulo, Oscar indaga a Saulo. 

— O que era aquele espaço diferente por onde você esteve ontem irmão?

Shina, ao lado de Marah sorri, para a maior supreza de Marah. 

— Era um lugar estranho. Comenta Shina. — Parece que eles compreendem agora, de certa forma, a nossa telepatia. 

Marah não compreendia, e sua expressão facial deixava isso claro.  Oscar olha para Shina e sorri. 

— Nossa ligação é muito forte. Até a ligação com meu irmão ela percebe. Comenta Oscar sobre Shina. — Pude até perceber a explosão das galáxias. Completa Oscar sobre a viajem de seu irmão. 

Saulo mostra estranheza. 

— Explosão das galáxias? Diz Saulo curioso. 

Oscar fica meio perplexo. 

— Sim! Responde Oscar. — É muita energia. Senti como se pudesse reuni-la toda em minhas mãos. Mas . . . Será que posso? Sinto que poderia explodir qualquer coisa com essa energia. 

— Por que não tenta? Hahahah. Saulo desafia Oscar. — Tentamos juntos. Arranje-nos uma pedra grande meninas, por favor. 

Shina e Marah por telecinese carregam uma grande pedra e a deixam suspensa no ar, e Shina provoca. 

— Façam com elas suspensa, se forem capazes. 

Saulo e Oscar se olham e riem. 

— Considere feito! Dizem juntos os gêmeos. 

Eles e concentram, elevam seus cosmos, e vasculham o universo a procura da energia de uma explosão galáctica. Duas são achadas, e os guerreiros se conectam a essa grande movimentação de energia, transportando-a pelo espaço tempo até dois pontos distintos da pedra. A pedra em fração de segundos implode formando uma nuvem de poeira. 

Oscar ainda brinca, explodindo pequenos pedaços com a mesma técnica. 

A harmonia entre os gêmeos e as filhas do Sr. Anaor fortalece os cosmos de Oscar e Saulo. 

A província com o tempo vai voltando ao normal e Oscar e Saulo já são considerados como filhos da grande família de Tessalian. 

A bela relação que nascera entre os gêmeos e as filhas do Sr. Anaor era fonte de grande admiração por todos. 

Saulo e Oscar, já mais habilidosos na técnica do transporte pelo espaço tempo, treinavam diariamente no centro do monte Jutsu, agora bem mais calmo. Nesses momentos lá sempre estava Ankaa, enigmático com seu eterno silencia. 

Certa vez ao chegarem ao monte Jutsu não encontraram Ankaa, como era de costume. Eis que surge o menino, e em seguida desaparece, como se chamando-os. Eles o seguem, e surgem numa floresta, a beira de um jardim defronte a uma cachoeira. 

O sol penetrava por entre as árvores, e refletia no espelho d’agua, formado após a queda d'agua, vagarosa e constante. Os pássaros ali eram muitos, e dentre eles um fazia um estranho movimento. 

Saulo observava os olhos de Ankaa, em perfeita harmonia com o que fazia o pássaro, como se o controlasse. Oscar percebe o mesmo. 

— É você que faz isso? Indaga Oscar a Anka. 

— Você o controla Ankaa? Reforça o questionamento Saulo. 

Ankaa sorri, liberta o passarinho, e responde. 

— Sim. Eu o controlo. Assim como o vulcão. É mais difícil porque ele resiste, mas com o tempo fica fácil. 

Os gêmeos se assustam, mas ao mesmo tempo se interessam. 

— Como é isso? Indagam juntos os gêmeos. 

— Vocês são engraçados. Comenta Ankaa. — Falam muita coisa juntos. São boas pessoas. Namorando a Shina e a Marah. Elas são bonitas. Eu gosto da Lubian, mas ela nem olha pra mim. 

Oscar ri, e acaba interrompendo Ankaa. 

— Você fala bastante quando quer, né rapazinho. Brinca Oscar admirado. — A Lubian é muito bonitinha. Combina com você. Vamos fazer um acerto? Eu te ajudo com ela, e você nos ensina como controlar o passarinho. Aceita?

Ankaa para e pensa por poucos segundos. 

— Aceito. Responde o menino. A Marah é amiga da mãe dela. 

Saulo, curioso para saber como Ankaa chegara a tal controle finaliza o assunto. 

— Fechado. Agora explique para a gente como você faz isso. 

Ankaa faz um rosto de tristeza. 

— Não posso! Afirma Ankaa para a surpresa de todos. — Meu pai me proibiu de fazer isso. Faço escondido dele. Se ele souber briga comigo. 

Nesse momento surge Melias, e Ankaa fica com medo. 

— Isso mesmo Ankaa. Enfatiza Melias. — Que bom que você se lembra. Sempre soube que vem para cá, mas desta vez você convidou nossos amigos. 

Saulo e Oscar ficam sem graça. 

— Desculpe-nos. Diz Saulo. — Não queríamos causar problemas. É melhor irmos. 

Melias balança a cabeça, e abraçando Ankaa os impede de ir. 

— Não vão ainda. Afirma Melias. — Há mais essa técnica para aprenderem. Pelo menos tentarem, pois nunca consegui fazê-la. Sem falar que prometeram ajudar Ankaa com Lubian. Não é isso filho? Melias olha para o menino com carinho. 

Ankaa feliz acena que sim. Saulo e Oscar compartilham da felicidade do menino, e Ankaa começa a ensinar a técnica com um pássaro. 

— Você chama a atenção, e integrando-se a ele, assume o controle, impedindo seu livre arbítrio. É uma ordem. Assim. 

O menino faz novamente, e o pássaro faz movimentos aleatórios sem sentido. 

Melias se incomoda com aquilo, e interrompe o controle. 

— Chega disso. Diz. — Deixe o animal livre. Você já explicou como é. 

Oscar e Saulo concordam com Melias. 

— Isso. Diz Saulo. 

— Roubar o direito de escolha não é bom. Completa Oscar. — Já entendemos como funciona. Agora vamos procurar Lubian para você, pequeno Ankaa. 

— Vão mesmo? Ankaa estava surpreso. 

Saulo sorri. 

— Claro! Atende Saulo a euforia do menino. — Você cumpriu sua parte no acordo. 

Melias contata a mente de Saulo e pergunta se é verdade o que ele dissera. Saulo acena que sim

Melias fica impressionado ao ver que pelo olhar de Oscar ele também assimilara a informação. 

O experiente lemuriano transporta todos daquele lugar, e os gêmeos partem para sua missão. 

Uma semana se passa, e Saulo encontra na praça, recém inaugurada em Tessalian, Tyrian e Lubian. Ele brinca com a menina. Oscar a distância aguarda a primeira abordagem de Saulo. 

— Lubian, a pequena alquimista. Sorri, e cumprimenta sua mãe. — Olá senhora Tyrian. 

— Olá Saulo, o novo filho estrangeiro de Lemúria. Saudosamente brinca a lemuriana. 

Saulo sorri, e pensa na frase de Tyrian. 

— Pois é. Situação diferente a minha e do meu irmão. Comenta. 

Oscar se aproxima, e Tyrian, sempre simpática, interage um pouco mais. 

— Como vão os namoros de vocês? Sai casamento? Sorri. 

Saulo sente a pressão de todos, que Mariah já havia lhe comentado. 

— Sai sim, mas tudo a seu tempo. Sorri. — Mas . . . e a nossa pequena alquimista, muitos pretendentes? Brinca Saulo. 

— Poucos. Responde a menina. — Na verdade o menino de quem eu gosto vive mudo, no mundo da lua. Saulo entende ser Ankaa. 

— Humm. Comenta Saulo. — Conheço um menino meio mudo que queria te conhecer, mas você quase nunca aparece. 

Os olhos da menina brilham, e a empolgação de Lubian anima Tyrian. 

— Quem é? Que saber Lubian. 

— Acho que você não conhece. Brinca Oscar. — Ankaa é o seu nome. 

Os olhos da menina brilham ainda mais, e um surpreendente sorriso surge no rosto de Tyrian. Quando Marah surge ao lado de Saulo. 

— Olá Marah. Cumprimenta Tyrian para o susto de Saulo. 

Saulo vê Marah sorridente, e continua a conversa com Lubian. 

— Posso te levar até ele se você quiser, e sua mãe deixar é claro! Diz Saulo. 

Lubian sorri, e prontamente responde. 

— Mas eu sei onde ele fica. 

Saulo põe a mão no queixo pensando na próxima frase, diante de tão perspicaz criança. 

— Posso ir contigo, e fazemos uma surpresa para ele. Propõe. — O que vocês acham? Indaga olhando para a mãe dela. Marah o cutuca. 

Lubian olha para a mãe pedindo um sim. 

— Se Marah for junto pode sim. Responde Tyrian. 

A menina olha para Marah pedindo outro sim. 

— Tudo bem! Responde Marah, e Saulo fecha o acordo. 

— Amanha às dez horas aqui, podemos combinar assim? 

Todos aprovam, e felizes partem por seus caminhos quando Tyrian interrompe. 

— Uma outra coisa . . . Chama a atenção de todos a mãe da menina. — Poderia Rose ir com vocês? Ela fica em casa tempo demais. Precisa de ares novos. Ela os ajudaria a tomar conta de Lubian. 

Marah e Saulo se olham com expressão de pouco conformados. Oscar nem se manifesta. 

—Tudo bem. Responde Marah pelo grupo. 

Tyrian sorri. 

— Obrigado. Sempre soube pelas estrelas que os gêmeos do continente foram enviados por Atena. Sinto que grande são os planos para esses dois belos casais. Saulo e Marah, e Oscar e Shina. Tal como Marah, Shina já estava ao lado de Oscar. 

— Não se preocupe Marah. Continua Tyrian. — Teu amor está escrito nas estrelas. Nas estrelas da constelação de gêmeos, e no mais alto do céu. Serás uma grande mulher ofuscada pela história. E tu Saulo, um grande homem ofuscado por tua consciência. 

O casal ficava tenso com tantas revelações futuras. O clima é quebrado com a chegada da bela Rose, de olhos cor azul turquesa. Todos se impressionaram com a beleza da jovem, da mesma faixa de idade dos dois casais.

Com uma ponta de inveja, reclama Lubian. 

— La vem ela roubar a cena, com seus olhos azul turquesa. 

Rose ri do ciúme da irmã. 

— Para com isso menina. Brinca. — Bom dia Saulo, Marah, Oscar e Shina. Como vão vocês. Cumprimenta a jovem. 

Todos se admiram ainda mais de Rose, e Saulo pensa 

— Uau! Como uma jóia rara como esta fica presa em casa.

Marah percebe a admiração de seu par e fecha o rosto.

Rose ri, e responde. 

— Joia eu? Joia é minha irmãzinha, a maior telepata de Lemúria. Se o futuro me reserva algo bom, não sei. Esperarei para saber com o tempo. Meus dons ainda serão revelados, e os partilharei com alguém. Por ora ainda não surgiu ninguém interessado em meus olhos azuis, assim continuo esperando. 

Saulo fica admirado, pois não havia dito nada, e Marah já estava diferente. Ela olha para ele com semblante amistoso, como se soubesse de tudo. 

— Vejo em você um grande dom, a sabedoria. O mais nobre de todos eles. Será muito bom estar contigo. Comenta Oscar espontaneamente, para o olhar desconfiado de Shina. 

Rose, silenciosa como de costume, com um sinal de cabeça agradece. 

— Precisamos ir. Obrigado Tyrian. Despede-se Saulo. 

— Disponha e obrigado por cuidarem das meninas. Confio em vocês. A gente marca uma conversa. Despede-se a lemuriana. 

Todos retornam as suas casas, e Marah fica pensativa sobre tudo que ouvira de Tyrian. O ofuscamento dito por Tyrian deixa Marah preocupada, e no rosto de Saulo a preocupação era a mesma. 

Chegando em casa Oscar sente o olhar preocupado do irmão. 

— Aconteceu alguma coisa irmão? Investiga Oscar. 

— Não, tudo sobre controle. Escorrega Saulo. 

Saulo decide guardar para si o impacto das revelações ouvidas, e desconversa. 

— A menina topou vir, e Ankaa terá uma bela surpresa. 

— Imagino. Completa Oscar preocupado. 

Saulo lembra-se de Rose, irmã de Lubian. 

— A irmã dela, Rose, tem os olhos mais lindos que eu já vi. Comenta. — Enigmáticos olhos azul turquesa. Creio que esses olhos terão ainda muito a revelar. 

— Tem razão. Completa Oscar. Ela me assusta. E quem Marah e Shina não nos ouçam. Os gêmeos por fim dão boas risadas. 

A noite se fecha, e conectados Marah, Saulo, Oscar e Shina compartilhavam as angustias e verdades daquele longo dia. 

Amanhece, e como combinado às dez horas, se encontram Saulo, Marah, Oscar, Shina com Lubian, e a bela Rose, trazidas por Tyrian.  Confiante na segurança das filhas Tyrian as deixa com os dois casais. 

Olhando os quatro Tyrian fala novamente verdades futuras. 

— Quatro pessoas escolhidas por Atena. Afirma. — Cada qual com seu papel na história futura desta terra. Minhas filhas não poderiam estar em melhores mãos. 

Nesse momento Tyrian vê uma bela mulher de olhos azul turquesa, levando pela mão a deusa Atena. 

— Não sei como. Continua Tyrian. — mas todos conectados por Atena. 

Ela entrega Rose as mãos de Marah e Saulo, e Lubian as mãos de Oscar e Shina. Nenhum dos seis nada entende, e ela segue seu caminho para casa. 

Ankaa chega pelas mãos de Katina, e pode enfim conhecer Lubian, tímido apesar de tudo. Enquanto as crianças brincam juntas, os dois casais ficam cada vez mais admirados com as palavras sábias da jovem Rose. 

ANOS DEPOIS . . . 

O tempo passa e Saulo e Oscar passam a ser considerados ilustres moradores de Lemúria. O barco preparado para a partida só sairia do porto de Casparian muitos e muitos anos depois

Saulo e Oscar em Lemuria fazem residência, e com a autorização do Sr.  Anaor se casam com Marah e Shina, num grande momento de alegria para toda a Tessalian. 

Três anos após as revelações enigmáticas de Tyrian nascem na casa de Oscar e Shina os gêmeos Ozir e Sig, e da união entre Saulo e Marah é concebida Sofia, com o sacrifício da vida da zelosa lemuriana. 

Foi grande a tristeza em toda a Lemúria, mas Marah morrera com um sorriso no rosto, como se recebesse de alguém grande notícia. 

MESES ANTES. 

Em certa noite, em Lemúria, do mais alto céu riscou um grande raio.  Antes mesmo que o choque chegasse ao cume do monte Sagres a luz se dissipa, e um forte cosmo é sentido por todos. 

A luz visita diversas casas, e dentre elas as de Katina, Tyrian, Marah e Shina. 

Durante um sonho feliz, Marah avista uma bela jovem de vestido branco e aura divina. A aura de paz não deixa dúvida, era Atena visitando sua serva. 

Atena, com seu cosmo quente, se dirige a Marah. 

— Marah, a partir de hoje terás uma importante missão. Inicia sua narrativa a deusa. — Darás a luz a Sofia, minha presença física nessa época. Preciso de ti duas atitudes de mãe: Abrir mão de um de teus filhos, e dar a vida pelo outro. Não é hora do nascimento de um deles, e o outro precisava de tua força vital para viver o futuro que o aguarda. 

Marah não sabia o que dizer diante tão dolorosos pedidos. Marah ficou surpresa, pois tratando-se de quem os fez, poderia apenas Atena fazer. 

Atena percebeu a dor da decisão de Marah. 

— Teu filho nascerá em outro momento, e será essencial para o equilíbrio da terra. Afirma Atena. — E tua filha abrigará a minha alma. Ela estará em boas mãos, sob meu olhar até o momento de meu despertar. 

Marah, percebendo a importância de sua decisão, lembrou-se do que te disse Tyrian. Ela já estava certa de tudo. 

— Estavas enganada Tyrian. Afirma Marah. — Não estarei ofuscada, pois Atena está diante mim, e ouve meu SIM. Estou a seu dispor, minha Senhora Atena. Conclui Marah, para o sorriso de Atena. 

— Sabia que podia contar contigo. 

Atena toca o ventre de Marah, e retira uma das crianças. Ela se vai, e ao acordar Marah de nada se lembra, mas sabe apenas que tinha muitos motivos para sorrir, apesar de não saber bem ao certo o porquê. 

Nesta noite Atena visitara muitas casas e pessoas, e anunciaria muitas missões. 

MESES DEPOIS

A pequena Sofia, seus primos Ozir e Sig eram os mais novos habitantes de Lemúria. De sangue misturado, tinham muito a se revelar ao longo do tempo. 

A perda de Marah marcou fundo o coração de Saulo, e apesar do grande cuidado pela menina o coração do valoroso guerreiro havia se fechado para a felicidade.  Ele contava sempre com a ajuda de Rose,

Oscar e Shina, de perto tudo acompanhavam, mas se mantinham afastados do cuidado diário por pedido do próprio Saulo. 

A vida seguia e muitas eram as noites que Rose dormia com Sofia para cuidar das dores e cólicas da menina, e isso havia gerado comentários e boatos maldosos.  Contavam que eles viviam como casal, e Saulo não respeitava o luto por sua esposa. 

Muitos conflitos foram gerados envolvendo as pessoas e Oscar, Shina e a própria Tyrian.  A mãe da moça confiava plenamente na honestidade de Saulo. 

Certo dia Saulo levara Rose em casa, e a agradecia por sua ajuda no portão ao fim da noite, quando alguém passou comentando. 

— Olha só . . . Levando a namoradinha em casa . . . que romântico! Afirma a pessoa de forma taxativa. — O corpo de Marah mal esfriou! E você menina, já devia estava preparando o golpe há tempos, hein … coisa feia! 

Saulo se irritou mais do que o normal. Ser agredido já era rotina, mas a agressão a Rose ele não aceitaria. 

Saulo movimenta o braço, e como uma marionete o homem que o agredia com palavras veio voluntariamente a Saulo. Saulo esmurrava com fúria, e o homem não reagia.  Via-se a expressão de dor que sentia, mas a falta de reação a todos impressionava. 

Rose ficou estarrecida com tudo aquilo, e entrou assustada em casa. 

Oscar de sua casa percebeu a falta de equilíbrio de Saulo, se teletransportando junto a Shina, interrompendo a ação de controle do irmão. O homem cansado caiu, e Saulo se deu conta do que fizera. Via nos olhos de Rose, a porta, a dor e o susto que causara a todos. 

Todos ficaram horrorizados com a cena, e os até então heróis passariam a ser reavaliados por todos. 

Saulo saiu disparado sem rumo, e Oscar saiu em seu rastro. Depois de muito correr Saulo cai, sendo levantado por seu irmão que vinha logo atrás. De repente uma luz os transporta para o belo local onde os gêmeos haviam aprendido o controle total. 

Atena surgia entre eles acompanhada de Ankaa. 

— Sou Atena.  Apresenta-se a deusa. — Vim para confortar teu coração, Saulo, meu valoroso guerreiro. Saiba que a ti sou muito grata. Por sua vida terei vida nessa terra. Por teu zelo serei uma bela jovem, educada e determinada. Por tua decência Rose será honrada e desposada por um lemuriano de valor. Ela gerará importantes pessoas para a minha vitória diante os desafios que me esperam. 

Saulo, em posição de reverencia, estava confuso. Não acreditava no que teu raciocínio lhe impelia a compreender. Ele era o pai de Atena nessa era. Oscar compartilhava da mesma surpresa. 

— Levante-se Saulo. Ordena Atena. — Quero ver teus rostos. 

Os gêmeos levantam-se. 

— Eu os conduzi até aqui. Prossegue Atena. — Vocês escreveram seus destinos, e me deram a oportunidade de escrever também o meu. 

A deusa dirige-se a Oscar. 

— És pai de meus dois mais fieis e poderosos guerreiros no futuro. Declara Atena.  — A eles depositarei minha total confiança. 

Com carinho Atena olha para Saulo. 

— Meu valoroso guerreiro. Atena toca o rosto de Saulo. — A ti confiei a mais dolorosa das missões: ser pai de minha reencarnação nesta época, a custo da vida de sua amada. Agradeço a sua dose sempre alta de amor. 

Saulo entende a morte de sua amada Marah, e sente seu coração respirar mais leve. Um grande fardo de dor saia de suas costas. 

Atena o olha com misericórdia, mas com firmeza. 

— Erraste ao aplicar teus conhecimentos em momento de fúria. Repreende a Saulo, Atena. — Esa técnica está selada por mim, neste momento. Quem ousar utilizá-la sofrerá com minha ira divina. Apenas eu posso permitir seu uso. 

Saulo estava desejoso de se manifestar, mas em respeito a Atena se continha. A deusa percebendo com um gesto o autoriza a falar. 

— Perdoe-me minha Senhora Atena. Redimi-se Saulo. — Faça desse teu servo o que melhor lhe convier. 

A redenção de Saulo agrada Atena, que sorri. 

— Sempre soube de sua fidelidade, Saulo. Afirma Atena. — Não te farei castigo algum. Conhecerás a técnica, junto a Oscar, Melias e Ankaa, mas não a executará. 

Oscar se manifesta com as mãos, pedindo para falar. Atena concede. 

— O que faremos? Indaga preocupado. — De certo não seremos mais bem quistos em Tessalian após tal incidente. Deveríamos partir com nossos filhos?

Séria, Atena olha para Oscar. 

— Vá e leve seus filhos. Reponde Atena. — Seja sábio e eles te responderão a altura. 

Em seguida a deusa dirige-se para Saulo. 

— Vá para Temísia, Saulo. Ordena Atena. — Leve contigo Rose e Sofia. Vocês a criarão no templo do Gran-Conselho. Quando Sofia completar quatorze anos vá para meu templo em Atenas. Organize meu exército para a guerra que virá.  Ela chegará até você aos quinze anos. Em breve estarei contigo, e você se lembrará de meu sorriso em tua filha. 

Saulo estava resignado. 

— Sim, Senhora Atena. Responde. — Da forma que desejar. 

A luz que inundava o local, emanada por Atena, começa a cessar e a deusa profere suas últimas palavras naquele momento. 

— Cumpram suas missões. Ordena. — Não estarão sós. Oscar irá para a Ática, vigiar o mar do paredão costeiro grego. E em seu tempo Saulo irá para meu templo em Atenas. O tempo é favorável, e suas embarcações serão conduzidas por bons ventos ao seu destino. Eis o seu falcão, Oscar. Gentileza de Melias de Tessalian. 

Todos foram transportados a local seguro. 

Os dias passam, e o incidente é esquecido por todos. Era grande a comoção pela partida de Oscar, Shina, Sig e Ozir. 

Os anos passam e Saulo e Oscar pouco se veem. Eles sentem suas energias até certo momento da vida. Em dado momento os fio que une os irmãos aparentemente se rompe, mas os gêmeos velam um pelo outro de Ática e de Lemúria, cumprindo a missão dada por Atena. 

Saulo acompanha passo a passo as vidas de Oscar, Shina, Ozir e Sig. Nas vezes em que a família visita Lemúria.

Resignada a sua missão a família segue sua história atrelada a vida da deusa da Guerra, onde o sorriso do pai é o sorriso do servo, e a do filho é também a de sua Senhora. 

Por ser humano, sem os dons dos lemurianos, Saulo recebe de Atena a técnica da longevidade, quando a jovem Sofia retribui ao seu honrado pai o dom da vida que recebera, por vontade e serviço de Atena. Saulo seria um servo direto da deusa, e importante peça nas lutas vindouras. 

TEMPO PRESENTE. 

Ozir retorna de suas lembranças, conhecedor que toda a sua família serviu Atena como grande dedicação. Não poderia ele falhar. 


O PODER DO CONTROLE TOTAL É REVELADO E SELADO POR ATENA. AS HISTÓRIAS DE FAMÍLIA SE ENTRELAÇAM, E O FUTURO VAI SENDO DESENHADO POUCO A POUCO. 

Capítulo 020 – Aqueles que não se apresentam


Capítulo 020 – Aqueles que não se apresentam

Dentre os guardiões haviam dois que permaneciam ocultos até mesmo de Teon de Serpentário. Esses guardiões eram Sarah de Serpentário e Luge de Ophiucus.

Por não estarem no treinamento com os demais recebiam instruções de Sig de Gêmeos por ordem direta de Atena.

Sarah, a irmã de Teon, era uma aura formada. Pela participação na elite do exército de Poseidon ela conhecia as nuances do cosmo, e apenas aprendeu as técnicas secretas da Ordem de Serpentário. Numa circunstancia mais confusa ela foi seduzida pelo poder de Poseidon, assumindo a posição de General Marina do Atlântico Sul, Sirene.  Ela foi resgatada por Leo e Lyra, e recebeu a misericórdia de Atena e o perdão de Lyra e Régia.

Luge de Ophiucus, assim como Sarah é lemuriano, e o grande amor de Lyra em sua juventude. Ele era um dos guerreiros mais astutos do exército da ilha dos alquimistas. Na linha de frente, a serviço de Atena, ele enfrentou hordas de marinas de  Poseidon, e comandava a resistência de Lemúria contra a invasão pelo deus dos mares.

Em certo ataque a ilha a General Marina de Sirene, Sarah,  enfrentou pessoalmente Luge e sua ordem de soldados. Depois de um longo confronto, após poupar alguns de seus soldados Luge desaparece no mar. Lemúria triunfara mais uma vez, mas a custa da vida de muitos de seus guerreiros. Os tempos eram outros, e Sarah e Luge agora eram colegas na Ordem de Serpentário a serviço de Atena.

Sarah mais uma vez foi perdoada, e junto a Luge compartilhava não apenas a grande amizade, mas o pesar de não poderem estar com suas pessoas mais queridas. Após a conclusão de seu treinamento como Aura, Sarah se recolhera por ordem de Sig.  Seu alento era poder estar com Oriti, esporadicamente. Luge não tinha a mesma oportunidade com sua amada, apesar de acompanhar seu coração fiel.

Teon teve a oportunidade de ver Sarah por algum tempo, após sua redenção junto a Atena, mas Lyra não teve a mesma sorte com Luge.

Sarah e Luge, assim como Sig, em pouco tempo aprenderam as técnicas de cura dos guardiões, e de forma oculta recrutavam novos Aurums e Auras para a Ordem dos Guardiões sob a orientação direta de Sig de Gêmeos.

Para esses guerreiros de elite, além da proteção do cavaleiro de Serpentário e da amazona de Ophiucus, havia a tarefa do recrutamento de novos guardiões, mas uma tarefa especial a estes foi transmitida pela própria deusa Atena. Considerada um importante marco para o exército de Atena,  a eles foi incumbida a proteção dos cavaleiros e amazonas em potencial, ainda que estes não estejam em condições de treinamento. 

Essa nobre missão levava os dois ocultos guardiões as diversas partes do mundo para a salvaguarda daqueles que emitissem do simples lampejo de cosmo a sólida manifestação de cosmoenergia sem a proteção de Atena.

O cosmo de um cavaleiro ou amazona sempre queima quando a situação foge dos recursos naturais. Os guerreiros em momento de superação ultrapassam os seus sentidos, e ao tocar a sétimo sentido, oculto e sobrenatural faziam brilhar seu cosmo. Como uma fagulha prestes a causar um incêndio.

Sarah e Luge por serem lemurianos possuíam alta capacidade extrassensorial. Com o treinamento dado por Sig de Gêmeos, eles melhoraram sua percepção para pequenos cosmos.

Era um dia comum, e Sarah sentiu um leve cosmo bem ao norte. Ele brilhava de forma intensa, indicando claramente que alguém acionava sua cosmoenergia como defesa. Luge também percebeu, mas sentiu que Sarah já estava a caminho.

Teletransportando-se Sarah notou ser uma grande ilha. No local não se via ninguém, apenas um grande rio, ao qual quase não se conseguia ver a margem oposta. Seguindo por um pequeno rio que nele desaguava a aura encontraria uma menina.

A menina estava encurralada num bosque, e dois homens a perseguiam. Ela tentava fazer novamente surgir aquela luz que havia derrubado outros dois homens há minutos atrás, mas não tinha sucesso. Exausta, e com suas súplicas de ajuda sem resposta, ela preparava-se para o pior.

Os homens, por seu vigor físico superior, estavam cansados mas persistentes, aguardando apenas a queda da garota.
Os cabelos negros longos contrastavam com a pele branca e rosto ovalado singelo da menina. Seu vestido estava rasgado, pela primeira investida do grupo de homens. Sua silhueta fina, mas formosa era o motivo daquela perseguição insana.

Desesperada, num último esforço, ela tentou obter a luz que a salvara tempos atrás, quando repentinamente de seu corpo frágil emana luz que toma o ambiente e ofusca tudo ao redor. Completamente esgotada a menina cai, e a sua mente paira uma certeza:

— A perseguição acabou! Eu perdi ... tudo! Pensa.

A luz se dissipa e a imagem era diferente do esperado por todos. Se via uma mulher ainda mais formosa com a criança nos braços, e os dois homens ilesos a grande energia emitida.

Sarah coloca a pequena no chão, num monte de folhas caídas juntadas pelo vento que circulava em forma de redemoinho.

Os homens dialogam e riem, pensando naquele momento haver ainda melhores possibilidades. Eles pensam em caminhar até Sarah, mas esse pensamento lhes custaria muito caro.

Apesar da fúria da aura pela situação que presenciou, Sarah tinha o equilíbrio necessário para resolver tudo, e a certeza de que aquela perseguição não sairia impune.

A aura reúne os ventos generosos com o calor do seu cosmo, reunindo junto a eles as folhas ali presentes num grande redemoinho. Com um comando de mão ela lança o pequeno ciclone contra os homens, que envolvidos pelos círculos giram errantes batendo em si próprios e nas árvores para onde seguia a massa de vento errante.

Sarah fecha a mão e liberta o vento de seu domínio, com a queda um sobre o outro dos homens em seu último sopro de vida.

— Você é um ... Demônio! Fala o último a morrer após uma tosse de sangue.

— Você não viu nada! Responde Sarah.

Ele morre e Sarah vê sua missão cumprida. Ela recolhe a menina e sai em busca de abrigo, visto que a tarde começava a cair e em breve ficaria escuro. Ela acha mais ao alto uma cabana de caça abandonada, mas segura.

Sarah limpa o local, coloca a menina, e sai para providenciar lenha e comida no bosque. Ela bem conhecia essas práticas de sobrevivência, na ocasião de seu isolamento na caverna em Lemúria. 

A noite cai, e na cabana aquecida com cheiro bom de comida acorda a menina assustada. Ela vê de costas uma mulher de longos cabelos amarrados num rabo de cavalo, com um conjunto de peças de couro e fivelas de metal, blusa e saia, que ao perceber seus movimentos vira-se para ela.

A menina estranhando o conforto e recuperação, sem nada entender prepara-se para novamente fazer surgir aquela luz que já a salvara. Ela se detém ao olhar o rosto de Sarah, e sentir sua cálida energia.  A aura sai em sua direção com uma cuia de comida e outra contendo um liquido.

A menina não sabia explicar como, mas sabia com sua alma que a mulher diante si não a trazia ameaça. Ela come e bebe com voracidade.

— Acalme-se menina! Diz Sarah confortando-a. — Coma devagar, e não tenha medo. Por hora se alimente. Depois conversaremos. Está aquecida?

— Sim. Obrigada. Responde a menina. — O que é essa água? Estranha a menina a bebida.

— Na minha terra chamam de chá. Responde Sarah. — Minha mãe era especialista em chás. Sinto saudades! Você gostou?

A menina mais a vontade sorri. Era a primeira vez que ela sorria há tempos.

— Sim! Responde. — Me chamo Riana, e você?

— Sarah. 

Riana olha em volta. Estava perdida.

— Onde estamos? Pergunta a menina. — Como vim parar aqui?

Sarah ajoelha-se perto da cama feita de troncos, galhos, e peças de couro, onde Riana estava já sentada comendo e continua a responder suas perguntas.

— Sou do exército de Atena, e vim porque você me chamou. — Vim de Atenas atrás de sua luz.

Riana Sorri.

— Minha luz ...

— Sim, por sua luz. Prossegue Sarah. — Ela me guiou até você. Sabia que estava em perigo. Estava lá quando estava encurralada e ela veio, e te segurei da queda. Dei uma lição naqueles homens, e te trouxe para cá. Você dormiu bastante e aqui estamos.

A menina sente seu corpo muito dolorido.

— Quanto tempo eu dormi?

— Dois dias. Teu cosmo precisava desse tempo. Responde Sarah

— Como? Riana estava apavorada.

Sarah ri e aprofunda a explicação.

— A tua luz é fruto do cosmo. Uma energia que temos dentro de nós, como um universo prestes a explodir. Quando ele explode você pode rasgar os céus, e rachar a terra com um só movimento de braço ou perna. Essa é a essência do poder dos cavaleiros, amazonas, auras e auruns de Atena.

Riana agora estava admirada com sua luz.

— Tudo isso? Eu explodi esse “cosmo” foi? Foi porque estava em perigo?

— Sim. Responde Sarah. — Sua condição de perigo te forçou a explodir seu cosmo. Você pode controla-lo, basta apenas treinamento.

Sarah cria uma esfera de luz com as mãos, e depois a dissipa.

— Uau! Admira-se Riana. — Eu quero isso! A menina estava animada.

— Mas ... Pondera Sarah. — Esse poder só deverá ser usado para a justiça. Poder, ganância e vingança não podem ser motivos. 

Riana se lembra de sua história recente e sorri.

— Eu entendo. Firme comenta a menina. Meu pai me vendeu àqueles homens. Minha mãe não fez nada, mas minhas irmãzinhas não poderiam sofrer. Eles matariam meu pai, acabariam com minha mãe, comigo e ...

Riana chora ao lembrar-se de sua família, e do ato de seus pais.

— Minhas irmãzinhas. Completa. — Eles tinham poucas escolhas, mas e aqueles homens?

Sarah se prepara para responder quando alguém bate a porta da cabana.

— Esconda-se. Ordena Sarah.

A porta estava uma senhora com uma grande preocupação estampada no rosto.

— Uma mulher ... Estranha a senhora a presença de Sarah numa cabana de caça. — Isso não importa. Viu uma menina nessa floresta. Meu marido e eu cometemos um erro terrível. Entregamos nossa menininha nas mãos de monstros por temer por nossas vidas. Foi um grande erro, foi um grande erro!. Eles morreram perto daqui. Um urso deve tê-los atacado, mas nossa menina não estava lá. Havia pegadas que acabam perto daqui. Por favor, você viu nossa menina?

Sarah olha para dentro, e Riana que ouvira sua mãe todo o tempo surge diante dela.

A senhora se ajoelha e pede perdão a menina. Sarah toca o ombro de Riana, e cochicha em seu ouvido.

— Ainda hoje não me sinto digna, mas todos que machuquei me perdoaram. Sarah fala a menina de sua vida. — Perdoe! Se tivesse feito o mesmo que ela daria tudo para ouvir um sim seu.

Riana pega nas mãos de sua mãe e a levanta, respondendo.

— Sim, eu os perdoo. Já havia os perdoado minutos atrás.

A mãe da menina sorri.

— Mas ... Continua Riana para a mudança de semblante da sua mãe. — Vou com Sarah. Descobri que tenho algo especial em mim. Posso ajudar a muitos outros. Vocês moram em meu coração, mas seguirei o meu próprio caminho a partir de agora.

Riana olha para Sarah, que sorrindo sinaliza com a cabeça em sinal de positivo.

— Vou me preparar. Continua Riana. — E antes de ir estarei com vocês. Diga ao meu pai que o entendo.

Os olhos daquele senhora, antes transtornados de remorso e perda, agora estavam felizes e cheios de esperança. Ela beija a filha no rosto, e dá um longo abraço apertado. A Sarah seu olhar agradecido dizia tudo. Ela segue de volta, encontrando os homens do vilarejo que a aguardavam com tochas de madeira.

A noite seria tranquila para Riana e Sarah, esta última com a sensação do dever cumprido. No dia seguinte pela manhã Sarah reúne suas coisas, enquanto Riana feliz aguardava. Iria rever sua família depois de tudo que passara.

Chegando ao vilarejo, a casa de Riana era a mais alegre de todas. Todos a saudavam. Gostariam que suas crianças perdidas voltassem como voltara Riana.

A casa Riana e Sarah foram recebidas com carinho. As gêmeas Maria e Annie pareciam ter a mesma determinação de Riana.  Ali elas ficaram até a manhã do dia seguinte. 

Após aproveitarem de um farto café da manhã, montado com doação de todos, elas partem para o Santuário. A essa altura todos sabiam da honra dada a o local por Riana, pois uma filha de Gales integraria o exército de Atena. Até a chegada de Sarah ninguém antes havia visto um soldado de Atena, e nem sequer suas lendárias armaduras. 

Sarah ali retornaria algumas outras vezes, com a autorização de Sig de Gêmeos, por vezes com Luge. Ela ajudaria aquela família e aquela vila a prosperar, como parte do pagamento da dívida que acreditava que tinha. Apesar das justificativas Sig sabia haver outros dois motivos.

A VANGUARDA DO EXÉRCITO DE ATENA ESTAVA GARANTIDA. O AMOR DE ATENA EXPRESSO ATRAVÉS DA ORDEM DE SERPENTÁRIO IA ALÉM, BEM MAIS ALÉM.