sábado, 30 de dezembro de 2017

Capítulo 024 - O Observador


De um lugar escuro, próximo a uma cachoeira de águas vermelhas estava um homem de bela aparência. Seus cabelos, a altura de ombro, eram tão negros quanto o manto que Nyx cobre a Gaia.  Ele possuía uma harpa de tom escuro brilhante que todos a viam se encantavam mesmo quando não ouvida.

Esse instrumento especial tocava ora melodias intrigantes e envolventes, ora belas canções capazes de levar a loucura seus ouvintes.  A harpa cor de ébano era a extensão da elegante veste de seu músico.

Era através do brilho sedutor e do som que entoava, que a esfinge de posse da harpa maligna media a verdade nos corações, equilibrando as almas contra a pluma de Maat.

Esse homem teve um nome, mas isso não mais importava, pois fora moldado desde o nascimento para um propósito maior. Sua linhagem estava ligada a certa estrela misteriosa que não figurava no céu, mas no ideário dos povos antigos. Essa estrela estava sob o comando do Senhor do Submundo, Hades, e seus fieis generais: a morte e o sono.

Ele foi chamado pelo Senhor da morte, Thanathos, e recebeu um novo nome: Pharaoh de Esfinge.

De uma gruta próxima a grande Cachoeira de Sangue dos domínios de Hades observava Pharaoh o fruto de seu encantamento, a quem despertara potenciais obscuros latentes. Esse produto de sua arte tinha uma missão maior: trazer a prova a força do exercito da da deusa da Sabedoria e Guerra Justa, Atena, e a visão sobre Sekai, a Terra.

Hades que acompanhava a movimentação na Terra desde a investida de Poseidon, queria conhecer as capacidades de sua sobrinha Atena na defesa do território que considerava sua casa. Com a regência de Sekai, Atena derrotara Poseidon, e iniciara um ciclo de conflitos e interesses.

Pelo Sekishiki, passagem entre as estrelas considerada o caminho místico que leva a entrada do mundo dos mortos, também chamado de Yomotsu Hirasaka, o espectro observava todo o conflito na entrada do Santuário.  Essa passagem Anryu bem conhecia, pois estava prestes a cair da colina que levava as prisões, vales e esferas do submundo, quando sua alma foi requisitada por Atena.

Logo após a retirada de Arno e Sebastian, Pharaoh desce a Terra diretamente ao monte Alcasus, na ilha da rainha da morte.

— Saudações, Arno e Sebastian. Cumprimenta Pharaoh, surgindo em meio a névoa do Alcasus.

— Você voltou! Admirado estava Arno.

— Faz tempo que não ouvimos sua canção, esfinge! Sorri Sebastian.

Pharaoh segura sua harpa, e toca uma canção. Arno e Sebastian entram em transe, e suas auras negras entram em ressonância com a melodia. Minutos depois, o espectro suaviza a nota musical e Arno e Sebastian retornam sua consciência.

Sebastian se lembra de quando conheceu Pharaoh de Esfinge.

SEIS ANOS ATRÁS

Passavam dois dias da escolha do Mestre Alquimista da província de Turígia. Era Iron o escolhido, o preferido por todos e unanimidade para o Conselho dos Anciãos local.

Sebastian também se propunha a posição, mas com o resultado ele sentira-se rejeitado. O sentimento do alquimista era de revolta. Educado, comportou-se com respeito as comemorações efusivas dos amigos de Iron.

A aura de Sebastian estava triste, e perdera seu brilho natural. Seu momento obscuro despertou a atenção de alguém em local tão obscuro quanto sua alma naquele momento.

Pharaoh de Esfinge sentia ecoar nas cordas de sua harpa a escuridão que crescia no coração de alguém em Lemúria, o reduto intelectual do séquito de Atena.

O ódio de Sebastian crescia, e seu isolamento começava a ser notado pela província. Sebastian era reservado, e sua seriedade era admirada por todos.

Pharaoh surge a Sebastian exibindo o brilho de sua sapuris. O tom negro vibrante, somado ao cosmo do espectro encanta Sebastian. O som da harpa do espectro acalentou a alma angustiada do alquimista.

O espectro entoou canções, e a mente de Sebastian começou a se abrir a possibilidades antes tratadas com cuidado pelas ciências alquimistas. O senso de cautela com os imprevistos e desconhecidos caminhos da pesquisa alquimista já não mais existia para a mente de Sebastian.

A esfinge deixara seu enigma na vida de um sábio, e agora destemido habitante de Lemúria. Somado ao arrebatar de mais uma alma por Hades, surgia a oportunidade da entrada no território de Atena por dentro.

O espectro retorna ao Submundo, sob o olhar de alguém mais poderoso, em lugar mais belo e agradável: Os Campos Elíseos.

TEMPO PRESENTE

Sebastian olha para Arno e a fisionomia do escultor negro era a mesma.

— Desenvolveram bem suas habilidades, senhores. Comenta o espectro. — Meu mestre tem observado seu desempenho, e seus planos ambiciosos para a Terra.

Os lemurianos estavam atentos a narrativa de Pharaoh.

— O exército dos cavaleiros negros sob seu comando tem enorme potencial, Arno. Continua Pharaoh. — A base da vitória da escuridão da morte sob a terra, com o triunfo maior sob o Santuário de Atena.

Arno compreende a mensagem, e fica pensativo.

— Meu exército a serviço de seu mestre, mas ... Pondera o lemuriano. — O que eu ganho com essa participação?

Pharaoh ri.

— Digno de um líder. Afirma o espectro. — Meu mestre não tem condições de iniciar uma guerra neste momento. Mas a sua guerra pode livrar o mundo de Atena, usando a fragilidade do pós-guerra contra Poseidon. Com a Terra sob controle, no momento certo meu mestre será o deus da Terra, sob seu comando nas ações e manutenção do cosmo negro do Submundo. A Terra precisa de um Deus, e nenhum de nós aqui poderá assumir esse posto. Apenas o Senhor Hades poderá.

Arno e Sebastian se entreolham.

— O comando da Terra é razoável por hora. Conclui Arno. — Mas novos elementos entrarão nesse acordo, certamente no seu tempo.

— Esperado! Pondera Pharaoh. — Hades oferecerá apoio. Aguarde. Seu cosmo negro compreenderá.

O espectro de Esfinge vai se dissipando na névoa, com o início dos tratos para o confronto contra Atena ali firmado.

NO SANTUÁRIO

Leo, Ozir e Sig percebem a presença obscura que sentiram há algum tempo. Alvo direto de preocupação de Leo por Atena, e dos gêmeos por suas investigações.

Ozir aguardava o retorno dos seus mensageiros enviados a diversas partes da Terra para informações e reconhecimento.

 Tuk de Cerberus fora enviado às terras banhadas pelo mar Mediterrâneo, orientado por Teneo de Touro; Marcos de Cruzeiro do Sul enviado para as terras abaixo da linha do equador até o extremo sul, sob a supervisão de Anryu de Cancer e Régia de Peixes; Sula de Camaleão seguiu para a parte média das terras banhadas pelo oceano Pacífico, sob o olhar de Aaron de Leão; Jeane de Lebre seguiu para a península do Atlântico Norte, orientada por Sallas de Capicórnio; Arthur de Escultor para a grande ilha do extremo norte do oceano Atlântico, com Joei de Escorpião acompanhando; Nicole de Bússola partiu para as ilhas da porção média do oceano Índico, apoiado pelo seu mestre Ian de Libra; Leonel de Tucano, Tina de Sextante e Metis de Serpente ao grande continente ao centro da terra separando o Atlântico do Índico, sob as asas de Donni de Sagitário e experiência de Melias de Altar; Adam de Sagitta e Nora de Hydrus foram para as grandes terras ao norte banhadas pelo oceanos Atlântico e Pacífico, prologando terras até a zona do ártico, acompanhados de perto por Ariadne de Aquario e Lúbian de Pavão; e por fim os cavaleiros de prata Sobis de Triângulo e Karl de Lyra seguiram para as terras geladas a leste do Índico, no oceano Ártico, orientados por Celes de Virgem.

Faziam sete dias da  partida dos cavaleiros e amazonas, e dias depois da visita da esfinge a ilha da rainha da morte, Ozir é informado do retorno dos primeiros mensageiros. Jeane de Lebre e de Arthur de Escultor estavam entre ele.

Arthur estava extenuado pela intensidade dos confrontos, o que preocupou o Grande Mestre Ozir de Gêmeos. A participação de Sallas no combate na ilha mais ao norte do Atlântico trouxe a certeza de que o novo adversário estava organizado e poderoso, agravando as descobertas da luta travada contra o pavão negro por Sig de Gêmeos na vila de Gales.

Jeane tinha sua armadura cheia de avarias, e chegou com o braço direito deslocado.  Ela foi enviada de volta por Sallas, que assumiu o confronto. Após tratamento de saúde, a amazona se apresenta ao Grande Mestre para apresentação de relatório, assim como Arthur.  Na sala já estavam Leonel de Tucana e Karl de Lyra.

Jeane é indicada a começar a narrativa pelo Grande Mestre, apresentando o ambiente do conflito e detalhando as características do adversário.

— Os guerreiros trajavam armaduras como as nossas, mas negras. Narra a amazona, que olha para Leonel. — Um deles tinha uma armadura igual a sua, Tucano.

Ela respira, pois o ardor das lutas, e o terror do cosmo negro que quase sugou sua alma, ainda a assustava.

— Os cosmos negros sugavam nossas forças. Prossegue Jeane. — Pensei que morreria, mas subitamente minhas energias retornaram. Não acreditei que Atena pudesse ajudar de tão longe.

A amazona, sorri.

— Senti uma presença familiar. Jeane se acalma. — Algo bom que recuperou tudo o que eu  havia perdido. Parecia meu irmão ... Mas foi Atena.

O semblante da amazona muda.

— Mas aí veio aquela força ... Os olhos de Jeane sobressaem. — Pensei que morreria, mas chegou o Senhor Sallas com Lyra de Ophiucus  e me mandou de volta.

Karl pede a fala, e Ozir permite.

— Um detalhe além de tudo que ela disse, foi que estávamos sendo observados o tempo todo. Informa o cavaleiro de Lyra. — Alguém poderoso, que nos via por inteiro, como se estivesse lá assistindo.

Leonel se manifesta.

— E não se tratava de cavaleiros de ouro negros. Comenta. — Era maior, completo.

Ozir sabia do que se tratava, e os tranquiliza.

— Não se preocupem, pois agora estão em casa e protegidos. Comenta. — Esse observador oculto está sendo monitorado há meses. Aguardávamos ele dar passos dele, e parece que está acontecendo.

Ozir se levanta, toca carinhosamente o ombro de cada um, e em Jeane suavemente no rosto.

— Fizeram seu dever com louvor. Saúda Ozir. — Vão e descansem. Aguardem novas instruções.

Os cavaleiros e a amazona se vão, mas Ozir interpela Jeane.

— Jeane de Lebre. Chama.

— Sim, Senhor. Atende Jeane.

— Procure Roshi no vilarejo. Ordena Ozir. — Leve sua armadura que ele a consertará.

Com a saída dos jovens, chega o mensageiro. Ozir lê a mensagem e ordena que ele chame Sallas de Capricórnio.

Uma hora depois o cavaleiro se apresenta.

— Conte-me sobre o confronto, Sallas. Ordena.

— As forças estão organizadas, e com grande poder. Inicia Sallas. — A amazona de Touro Negro é forte. Seu cosmo negro debilita o adversário. Para as patentes menores pode significar a morte certa.

— Entendo. Analisa Ozir. — E quanto ao observador?

— Presente e com vigilância intensa. Afirma Sallas. — Não interfere, mas a natureza do cosmo se assemelha ao poder obscuro que reduz o cosmo do adversário. Talvez seja sua fonte original, ou repositório.

— Algum detalhe em especial? Investiga Ozir.

— Sim. Responde o cavaleiro dourado. — Nosso observador toca uma melodia. Soube de soldado de Hades que encanta seus fantoches com música. Considerando que Sorrento de Sirene foi derrotado, arrisco dizer que se tratar dele.

— Certamente, Sallas. Confirma Ozir. —Como eu suspeitava. Já ouvi essa canção. Parece que já sabemos a identidade de nosso observador.

Ozir para por um instante pensativo.

— Retiraremos as tropas. Conclui Ozir. — Descanse. Daqui a uma hora siga com Ariadne, Aaron, Anryu, Ankaa, Lubian, Talia e Melias para a todos os locais com cavaleiros e amazonas, e os traga de volta. Os lemurianos transportarão a todos em segurança. Leo conhece todos os destinos.

— Sim, Senhor. Responde Sallas.

Sallas sai, e Sig surge.

— Muito a se fazer, meu irmão? Quebra o silêncio Sig.

— Muito! Responde Ozir. — Posso contar contigo?

— Sempre. Responde o aurum. — Todos os guardiões estão a postos, desde o primeiro momento. Tudo correrá bem no retorno das tropas. Está garantido.


O OBSERVADOR MISTERIOSO VAI SE REVELANDO, E SEU PLANO SENDO DESVENDADO.

sábado, 2 de setembro de 2017

Capítulo 023 – Duelo a três


Arno e Sebastian se transportam para a parte externa do monte Alcasus. Lá estava Abdon vestido com sua armadura negra.

— Ainda por aqui, meu amigo. Admira-se Arno. — Pensei que já havia partido para Gales.

Por detrás do câncer negro surgem cinco cavaleiros com vestes mais simples.

— Muito bem, cavaleiros e amazonas negros. Comenta Arno. — Vamos mostrar a pessoas nosso poder. A Terra é nosso território.

Sebastian olha para os seis guerreiros, e recebe de Arno sinal de positivo.

— Fornax, Cassiopéia, Columba, Scutum e Monocerus. Lista o lemuriano. — Um bom time. Creio que já tem suas ordens, Abdon de Cancer Negro.

— Já conheço minha missão, mas a quem devo chamar, “Senhor professor de latim”?  Sarcasticamente pergunta Abdon, para o sorriso de Sebastian.

— Sou um cavaleiro como você, mas num nível um pouco acima, eu garanto. Devolve o sarcasmo Sebastian. — Sou Sebastian, seu oficial de ordens, e por enquanto é só.

O cavaleiro negro recém chegado acende seu cosmo, e aos cinco cavaleiros negros de bronze causa temor.

— Agora me compreendeu? Zomba Sebastian.

— Não me impressiona seu grande cosmo cinza. Retruca Abdon. — A morte me acompanha e me salva, e seria o máximo que poderia me proporcionar, entende? Mas deixa pra lá. Tenho negócios a tratar, vou indo.

Antes de sumir ilha afora Abdon olha para Arno.

— Devia escolher melhor seus oficiais, Arno, meu amigo. Aconselha o câncer negro.

— Certamente, Abdon. Pondera Arno. — Estou fazendo as melhores escolhas. Veja que você está na liderança dos soldados a campo.

Abdon toca a sua armadura.

— Obrigado Arno, meu amigo e mentor. Comenta Abdon. — Será tudo conforme orientado.

Os seis cosmos negros se inflamam, e sob a luz da lua nova que se firmava imponente cobrindo a penumbra rubra da tarde, eles desaparecem.

No Santuário Atena, Ozir e Sig sentiram uma estranha energia obscura se espalhar. De forma mais simples Lyra, Teon, Sarah e Luge também sentiram algo.

A energia era intensa, e uma confirmação a Sig. Há tempos a forte cosmoenergia obscura de um guerreiro ao nível dos cavaleiros de ouro fora percebida, e Sig sabia que Ozir em breve agiria.

O repentino aumento da intensidade da energia obscura indicava que a presença finalmente se revelara. Com a recente descoberta dos cavaleiros negros, a identidade do cosmo já era conhecida, bem como o seu próximo destino.

Sig passa por seus colegas guardiões, mas é contido por Teon.

— Sig, você é um guardião. Lembre-se de sua missão principal. AlertaTeon.

— Pode deixar Teon. Responde Sig. — E você sabe que não está sozinho nessa missão.

— Eu sei. Sorri Teon.

No monte Alcasus, com o dissipar das auras de Abdon e seu grupo, ficam Arno e Sebastian a contemplar o céu sob o calor daquela ilha infernal.

Com um movimentar de braço a segunda caixa de Pandora surge da lava borbulhante. As armaduras vestem os dois corpos, e eles partem por telepatia.

Uma grande onda de energia varre o Santuário. Todos os cavaleiros, amazonas, auruns e auras entram em alerta, e uma única pessoa é alvo das preocupações: Atena.

Na entrada do Santuário Leo sente a chegada de Ozir de Gêmeos.

— Proteja Atena! Ordena o Grande Mestre que se materializa na primeira casa. — É sua prioridade. Eu cuido daqui.

Leo segue para sua missão, enquanto Ozir faz uma grande movimentação com seu cosmo. Somada a Parede de Cristal, deixada por Leo quando sentira a onda de cosmo negro, os cavaleiros criam uma barreira intransponível que obriga Arno e Sebastiam a revelar suas identidades diante da primeira casa.  Ozir trajava sua sagrada armadura de Gêmeos.

Uma presença familiar deixava Ozir muito confortável, como se protegido, e diante do inimigo esse conforto seria útil.

Com um brilho acinzentado escuro reluzia pessoa de porte esguio e cabelos castanho-claros, trajando uma versão negra da sagrada armadura de gêmeos.

— Grande Mestre Ozir de Gêmeos. Saúda o visitante. — Barreira digna de alguém de seu posto. Deixa eu ver ...

Sebastian passa por Ozir e toca a barreira e concentra seu cosmo, mas não a destrói.

— A famosa barreira do cavaleiro de Aries. Conclui. — Uma boa ajuda, hein Gêmeos.

Arno surge, e Ozir o saúda.

— Até que enfim, cavaleiro negro! Ironiza Ozir. — Nosso Santuário é realmente grande.

— Cheguei cavaleiro! Retribui Arno. — Bela barreira. Completa se me permite o acréscimo. Digna do Santuário de Atena.

Os cavaleiros e amazonas de ouro estavam agitados e tentavam chegar sair da entrada do templo de Atena para ajudar Ozir, mas são impedidos pela parede de cristal. Revoltados eles procuram Leo pedindo a retirada da mesma e liberação da passagem.

— Não posso. Responde Leo. — São ordens do Grande Mestre. Ele não quer interferência.

— Mas há dois inimigos com poderosa cosmoenergia. Um de nós precisa passar. Régia estava nervosa.

Surge Melias e Ankaa.

— Conheço aquelas cosmoenergias. O Grande Mestre precisará de ajuda. Pondera Melias.

Teon de Serpentário chega a passos leves até o grupo de cavaleiros e amazonas.

— Ele terá ajuda na hora que julgar necessário. Acalmem-se. Corrige a todos Teon. — O importante é que Atena está protegida por tantos guerreiros. Acalmem-se companheiros. A ajuda de Ozir de Gêmeos já está no campo de batalha.

Atena estava quieta em sua sala, acompanhando a reação de todos a sua porta, mas estava atenta a batalha que se iniciaria em breve na entrada de seu Santuário.

Sebastian acende seu cosmo negro, e o concentra numa esfera lançada contra Ozir. A massa explode sobre o cavaleiro, dissipando-se em sua veste dourada.

— Interessante. Admira-se Arno. — Então esse é o poder da obra prima dos mestres de Lemúria. Muito bom, mas acredito que fiz algo melhor.

Ozir sente suas energias sendo drenadas, e sua armadura começa a perder o brilho.

O cavaleiro de gêmeos com o cosmo inflamado abre uma fenda no espaço-tempo, e arremessa o espaço distorcido contra o cavaleiro negro. O espaço dimensional passa por Sebastian, fechando-se atrás dele.

 — Conheço o espaço dimensional, meu amigo. Retruca Sebastian. — Não funciona comigo.

O cavaleiro negro reúne suas energias movimentando seus braços. Ozir conhecia aqueles movimentos, e aceitaria o desafio.

Com movimentos iguais os cavaleiros de gêmeos lançam suas técnicas.

— Abismo Negro! Anuncia Sebastian.

— Explosão Galáctica! Lança Ozir sua técnica.

As energias se chocam, mas logo a luz da explosão de Ozir é absorvida pela onda negra. O cosmo negro prossegue, e o guerreiro de Atena sem energia cai.

O impacto da energia negra seria fatal ao Grande Mestre, que tinha sua armadura já opaca visto a poderosa habilidade dos cavaleiros negros em absorver energia.

A energia negra se dissipa e lá estava Ozir caído, com sua armadura montada ao seu lado totalmente sem brilho, e uma réplica da armadura de Atena em cristal que absorvera o impacto.

A armadura de cristal reluzia como diamante, e aos poucos Ozir se levantou, recebendo sua armadura totalmente recuperada de sua vida e brilho.

Ozir não entendia o que acontecera, mas sabia que era fruto da energia confortável que percebera momentos atrás. Aquela sensação agradável apareceria plenamente a ele, com forma definida.

Sig surge ao lado de Ozir para sua grande surpresa. Ozir, recuperado, se posiciona para a luta ao lado do que parecia ser seu irmão desaparecido.

O cavaleiro de gêmeos movimenta vigorosamente seus braços, e lança uma grande esfera de energia contra Sebastian. O cavaleiro negro abre uma fenda dimensional e sorri.

— Buraco Negro! Zomba Sebastian.

— Explosão Galáctica! Determinado anuncia Ozir.

A intensidade da técnica do cavaleiro de Atena sela a abertura dimensional, e atinge em cheio a Sebastian. O cavaleiro negro é arremessado a metros de distância. A armadura negra que absorvera o impacto se racha, e Sebastian levanta-se ainda tonto.

— Muito bom, Ozir de Gêmeos. Reconhece Sebastian. — Graças a habilidade de absorção de minha armadura fui salvo de sua Explosão Galáctica. Digno da famosa técnica do cavaleiro de Atena.

Arno que estava quieto observando se manifestou.

— Que interessante essa situação! Comenta. — Os três gêmeos num duelo empolgante. Não é isso, Sig de Gêmeos? A estrela guia brilhante do Grande Mestre Ozir de Gêmeos.

Sig recolhe sua Cristalus, e responde a Arno.

— Parece que está bem informado, Arno de Tessalian.

— É hora de irmos, Sebastian de Gêmeos Negro. Anuncia Arno. — Estamos em desvantagem aqui. Retornaremos em melhor momento. É hora de recuar.

Assim como chegaram, envoltos em névoa repentinamente criada, Arno e Sebastian desaparecem.

A névoa se dissipa, e Ozir se vê só com seu irmão Sig. Ozir se despe da armadura e acolhe o irmão com um grande abraço.

Os gêmeos tinham muito a conversar, mas Sig precisava retornar. O Aurum deveria utilizar a técnica da memória em Ozir, mas decide não fazê-lo.

— És o Grande Mestre, e creio que possa saber desse guardião. Comenta Sig. — Depois me entendo com Teon.

Sig conta alguns detalhes sobre a Ordem de Serpentário, e Ozir pode enfim acalmar seu coração. De seu templo Atena aprova a atitude de Sig, e inclui Ozir no conhecimento da ordem secreta de seu exército.

Leo sente o fim da batalha e retira sua barreira de proteção ao Santuário. Todos mais calmos retornam a seus postos, com exceção do cavaleiro de Aries que percebe a presença de outro cosmo não hostil na primeira casa, e permanece na casa de escorpião por um tempo.


OS TRÊS CAVALEIROS DE GÊMEOS MARCAM O INÍCIO DE UM NOVO CONFLITO CONTRA ATENA PELA TERRA, E DESSA LUTA VEM O REENCONTRO MARCADO NAS ESTRELAS.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Prelúdio - Memória da primeira Guerra Santa em sítio próprio


Após análise, entendeu-se que a estória "Prelúdio - Memória da primeira Guerra Santa" deveria seguir como estória solo.

Assim a estória encontra-se em sitio próprio.

Leia os dois últimos capítulos postados aqui, e continue acompanhando nossa estória por seu espaço próprio.

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quinta-feira, 27 de julho de 2017

Prelúdio - Ato 016 - Trégua


Ariadne estava feliz por reencontrar Aria pouco mais de um ano depois, e a batalha então finalizada não as havia permitido sequer um abraço. Elas caminham em sua direção uma da outra quando uma terrível cosmo-energia surge.

As amazonas se olham e se posicionam para um possível confronto.

— Este cosmo ... A mesma energia que destroçou nossa vila. Conclui Ariadne.

Aria pressentindo um ataque, a velocidade da luz salta a frente de Ariadne e toma todo o golpe emitido pela névoa que junto ao cosmo surgira. Uma longa risada ecoa e ouve-se uma voz.

— Parece que reencontrei minha órfã. E pelo que vejo se bandeou pro lado de Atena. Mas não se preocupe ... Darei um fim a essa história triste. Decidi por poupar sua vida a cinco anos atrás, mas estar com Atena ...

A névoa se dissipa e surge um homem. Vestido com uma reluzente escama do reino dos mares, se apresenta.

— Eu ... Dimmi de Kraken. O General Marina do Oceano Ártico! Terminarei o que deixei incompleto.

Aria se enche de fúria ao lembrar-se da destruição que ele causara.

— Foi você?! Dizimou toda a vila. Não o perdoarei!

Com um calma e um sarcástico ar de superioridade zomba o marina ...

— Então é você ... A “Senhora das aguas”. Aquela de que todos diziam. Aquela que dizimou meu exército. Não sabe o quanto a procurei, mas como é engraçado o destino, ele tarda mas não falha. Vamos ver se é tão “Senhora” assim de alguma coisa.

Preocupada com o cansaço físico de Ariadne por seu enfrentamento aos soldados marinas de Dimmi, e decidida a se vingar por todos da vila Aria afasta Ariadne e assume a luta.

— Proteja-se Ariadne! Diz — Eu acertarei as contas com ele!

Ariadne, inconformada, e tomada da mesma sede de vingança de Aria olha para a aquariana desolada.

— Mas ele matou minha família. Retruca. — E toda a minha vila.

Aria com autoridade olha para Ariadne.

— Não! Firme conclui Aria. — Não está em condições. Ela era minha casa também. Amava a todos apesar do pouco tempo. Acabarei com ele por todos nós.

Diante palavras decisivas resigna-se Ariadne, lançando um olhar marcado pela confiança em Aria depositado. Aria balança a cabeça em sinal de respeito a confiança recebida.

— Está bem. Diz Ariadne. Confio em você. Acabe com ele!

Com um ar de deboxe interrompe Dimmi.

— Já acabaram-se as despedidas? Não se preocupe, garota de Cisne ... serás a próxima.

Aria de Aquário e Dimmi de Kraken ficam cara a cara, atentos a todos os movimentos um do outro, prontos para o confronto. Naquele ambiente tenso Dimmi quebra o gelo com provocações.

— Fiquei impressionado com vocês. Primeiro você de Aquário ... derruba um a um meus soldados a cinco anos atrás. Agora essa menina de Cisne faz o mesmo. Não que eu me importe com eles, pois não valem tanto assim pra mim. Mas isso é uma fronta a Poseidon, o Senhor dos Mares!

Dimmi abre os braços, mostra a Aria os arredores do local, e continua.

— Um deus muito maior que Atena, residente nesse mundo há muito mais tempo que ela. Uma menina mimada, nada mais que a filha rebelde de Zeus. Poseidon é o verdadeiro senhor da Terra, e garantirei essas terras a seus domínios.

O marina, com uma tranquilidade inabalável, olha no fundo dos olhos da amazona, em meio ao pó de diamante que caia. Ele corrige sua postura, muda de semblante e chama Aria para a luta.

— Vamos Aquário. Não temos tempo a perder. Prepare-se para conhecer a técnica que destroçou aquele vilarejo sujo, e que ira acabar com cada uma de vocês. Já que escolheu ser a primeira ...

Dimmi faz cair flocos de neve e após o leve escurecimento do céu, ele concentra a energia da aurora em suas mãos. Com os braços abertos uma descarga elétrica percorre a distância entre as mãos, da energia acumulada em cada mão. Juntando os braços á frente uma grande carga de ar congelado, roubado do ambiente, é lançado em direção a Aria.

— Morra! Grita Dimmi. — Aurora Boreal!

Aria, surpresa com a intensidade do poder atirado, movimenta suas mãos no sentido de bloquear a técnica.

Um marca no chão de neve fica, feita pelos pés da amazona que fora arrastada duzentos metros para trás da posição em que recebera o golpe. A força devastadora da Aurora Boreal fora contida, mas Aria agora sabia pelo que passara a vila de Graad.

Cansada, e impactada pelo último golpe recebido, Aria se posiciona para atacar diante Dimmi admirado.

— Ainda de pé, Amazona. Zomba Dimmi. — Muito me admira ter suportado minha técnica. Mas saiba que lancei um golpe de força reduzida. Não quis destruir teu belo rosto. Planejava contemplá-lo ao retirar a máscara de teu cadáver, mas já que insiste que seja pra valer farei o que desejas.

Aria movimenta a cabeça em sinal de desdém.

— Reduzido? Indaga de forma sarcástica. — Logo vi. Pude conter sem muito esforço. Esperava mais de um General Marina de Poseidon. Que decepção! Na próxima ... mande tudo o que tens. Não se importe com o belo rosto por detrás da máscara, pois ele é mais letal do que possa pensar!

Aria levanta a cabeça, e se posiciona.

— Sou uma Guerreira de Atena!

Apesar das frases determinadas Aria estava preocupada com a força do ataque do marina, dito de poder reduzido.

— Tenho que me concentrar. Pensa Aria. — Este ataque quase acaba com a luta. Se não fosse a armadura de ouro ...

Certa da necessidade de demonstrar equilíbrio na luta desafia Aria.

— Vamos acabar logo com isso!

O ar frio começa a se concentrar de volta do seu corpo, com o intensivo aumento de seu cosmo. Dimmi se assusta com o repentino aumento do cosmo da sua oponente. Extremamente agressivo, o cosmo de Aria atrai todo o ar frio do ambiente deixando o ar próximo a Dimmi mais quente, além da terrível chuva de neve que provocara. O marina se prepara para receber uma grande técnica.

Aria com grande frieza, visto a afastamento de todos os sentimentos naquele momento, dispara o ar frio em direção ao adversário revelando sua técnica.

— Pó de Diamante!

Dimmi, apavorado, vê uma grande quantidade de ar frio partindo como um cometa em sua direção. Ele tenta bloquear, mas é arremessado a quilômetros de distância.
Diante o sucesso aparente Ariadne se empolga.

— Conseguiu! Você conseguiu! Diz.

Aria balança a cabeça e retruca.

— Não se engane! Não subestime teu adversário. Esse pode ser seu último erro!

Aria caminha em direção ao local onde Dimmi foi arremessado e sente seu ombro dolorido. O impacto do pimeiro golpe e da Aurora Boreal causara-lhe aquela sequela.

Em meio à nuvem de neve encontra-se de pé, Dimmi, já sem seu elmo e com parte de sua armadura destruída. Ariadne fica apavorada com a resistência do marina.

O marina se ajeita de pé e dá uma gargalhada.

— Usuahahahahaha. Acredito que dosou o teu ataque. Não posso crer que isso seja tua força máxima.

Agora, é Aria que ri.

— Engraçado, diz. — É a primeira vez que dizes algo coerente. Não conheces meu verdadeiro poder, mas terá oportunidade. Vejamos o poder em seu máximo explendor no seu próximo ataque.

Dimmi fica sério, e deixa Aria confusa com suas palavras.

— Não! Diz Dimmi. — O Kraken ... Conhece a lenda? Vou te contar. O justiceiro dos mares. O Kraken é uma criatura lendária que habita os mares glaciais: O Oceano Ártico. Uma vez alcançado pelo Kraken nada resiste. Mas o Kraken não mata inocentes, apenas barcos que levam a bordo ódio e ganância. Ele os castiga sem dó, e é impassível diante do mal.

O marina inclina-se em reverência.

— Ele o destrói completamente, e sentimentos diante do inimigo são sinais de fraqueza. Admiro sua frieza diante o adversário. Sei que estás machucada pelos golpes que te apliquei. Também estou machucado pelo seu Pó de Diamante. És a melhor de meus adversários até hoje.

Séria, Aria meche a cabeça em sinal de agradecimento. Dimmi Ajeita um pedaço de sua escama partido, e prossegue.

— E quero uma luta inteira com esse adversário de valor. Quero que lutemos com todas as nossas forças. Quero o máximo de teu poder para que possamos medir nossas forças. O empate não é aceitável. O Kraken não empata quando devora o mal. A superarei em teu poder máximo, assim proponho um trégua.

Aria sente a força do cosmo de Dimmi enfraquecida e percebe a veracidade de suas palavras e intenções. Dimmi toca o peito atingido pelo Pó de Diamante de Aria.

— Nos recuperaremos e nos veremos de novo. O que você me diz? Indaga Dimmi.

Por alguns segundos, o silêncio paira no ar. Aria admite que não poderia dar o melhor de si com o ombro machucado.

— Concordo. Responde Aria. — Vieste em meu mundo. Terminaremos essa luta no seu. Uma luta sem tréguas, até que sobre apenas um: O vencedor.

Dimmi vira-se de costas e segue de volta ao mar.

— Certo! Nosso reencontro está marcado. Te esperarei.

Ele some e Aria cai. Ariadne a ampara.

— Dói. Diz Aria. — Meu ombro. Conter a Aurora Boreal quase me custou um braço.

Ariadne lembra-se das palavras de Dimmi.

— E tinha poder reduzido. Completa Ariadne.

Aria, mesmo com muita dor, ri da inocência de sua companheira amazona.

— Não creio. Rebate Aria — Disse aquilo para me intimidar. Mostrar superioridade a uma mulher. Mas já conheço sua técnica, e isso é o mais importante.

Aria, como mestra, instrui Ariadne.

— Cuidado, Ariadne. Não subestime o adversário. Nunca!

Como uma boa aprendiz, Ariadne tudo ouve e compreende.

Ariadne leva Aria até a vila para receber cuidados médicos e se recuperar daquele difícil confronto.

A amazona de Aquário tinha um desafio a vencer em breve. Os destinos de Aria e Ariadne mudariam por completo após conhecerem aquele homem.


O MAL VINDO DO MAR QUE OUTRORA TIRARA MUITAS VIDAS SE REVELA. UMA BATALHA FEROZ, UMA TRÉGUA E UM NOVO DESTINO. O QUE AGUARDARÁ ESSE CONFRONTO FINAL?

Capítulo 022 – O Mestre e o Aprendiz


Em algum lugar do oceano Pacífico Sul, numa ilha marcada pelo calor e pelo pesado clima acinzentado, havia um homem observando o cosmo negro que acabara de desaparecer numa região mais ao norte do oceano Atlântico. Esse cosmo extinto intrigava esse homem e seu grande cosmo.

Na cratera do vulcão domado Alcasus, estava um homem de cabelos curtos castanho-avermelhados, porte imponente e olhos vermelhos como fogo.  A calça manchada de cinza e as sandálias surradas descreviam alguém que já era parte do cenário.

A aura negra fazia brilhar certo espaço entre as estrelas do céu, onde se dizia existir um portal para um mundo escuro de fogo e de dor.

Silencioso, seu olhar fitava o horizonte, e a sua mente tentava acertar o nome daquele que fechara os olhos do pavão  negro em terras distantes dali.

Mais ao centro, em meio a lava borbulhante estava um homem de idade mediana, ao menos na aparência. Nas mãos tinha instrumentos, e um estranho brilho reluzente saia das ferramentas, a cada batida nas peças que tratava. Trabalhava na construção, como no entalhar de uma escultura em pedra.

Ele estava a esculpir metal. O raro gamanium era mesclado a cinzas e ouro, banhado com o sangue dos muitos homens mortos ao redor do mundo.  O vermelho do liquido humano permanecia como se vivo naquele vulcão. As cinzas expelida tornavam o ambiente ainda mais sombrio, aumentando a cada partícula a aura de morte e desespero que percebia-se até bem longe da ilha no mar adentro.

Nenhum pescador, nem navegador experiente ousavam se aproximar da costa sequer para buscar água. Os boatos davam conta daqueles que aportaram e nunca voltaram, e das grandes fortunas em ouro, prata e bronze de homens que ali sucumbiram. As caraças de embarcações, bem como diversas partes de barcos que ainda batiam contras o paredão rochoso da ilha, podiam ser vistas a léguas de distâncias mar adentro, e davam veracidades as narrativas.

A temível ilha era chamada por todos de “Ilha da rainha da morte”. A morte reinava, e por não se ouvir sons, se dizia ser trazido pelo silêncio de uma rainha.

No vulcão o artesão de metal concluía reparos em uma de suas obras primas. O traje em forma de caranguejo tinha um brilho negro especial, revelando o mistério da alquimia dos metais. O metal vivo pulsava, como se em resposta ao cosmo de alguém.

O novo brilho do traje traz até o artesão o dono do cosmo que o fazia pulsar.

— Arno, meu caro ... Ecoa voz já interior do vulcão.  — Terminou com minha armadura?

— Sim,  Abdon. Responde o artesão. — Seu brilho será ainda maior do que quando usado por seu antecessor.

— O que é isso artesão? Ironiza Abdon. — Não falemos dos mortos. Pelo menos seu sangue serviu para deixá-la novinha em folha para mim:  Abdon, o líder dos cavaleiros e amazonas negros pelo mundo.

— Muito bem então! Comenta Arno.

Abdon toca a armadura, e passando os dedos sobre o metal levemente doirado, aquece seu cosmo. A armadura o veste e ele sente seu poder intensificado.

— Poderoso Adonis! Admira-se Abdon. — Foi uma vitória difícil, mas seu sangue inflamado de cosmo continuara sua jornada ao meu lado. Sob meu comando.

O cavaleiro negro de Câncer desmonta seu traje, e dali sai com sua caixa de Pandora nas costas.

Além de Lord, Abdon tinha outros nove cavaleiros negros sob seu comando.

A tarde se vai, e sob a luz avermelhada do crepúsculo, ainda no centro do vulcão estava Arno a meditar. As bolhas de gás que subiam, por causa do ambiente quente, explodiam formando um espetáculo de cores em clarões cintilantes. Em meio às luzes surge um cosmo agressivo.

Da lava borbulhante surge uma caixa de Pandora negra. A caixa se abre e uma armadura negra reluz prateado em meio às explosões de gases.

A mente de Arno passariam tristes lembranças de sua terra natal, e daqueles que ele um dia chamou de irmãos.

QUATRO ANOS ATRÁS

Arno estava em sua oficina trabalhando com metais. Ele era um dos melhores alquimistas da ilha, em formação pela Academia de Lemúria.

Ele era primo do Gran-Mestre Iron de Turígia, e estava sob a orientação de Fernan de Tessalian, Mestre Alquimista da província no Gran-Conselho e grande sábio.

Secretamente Arno fazia experimentos considerados proibidos pelo Gran-Conselho. Usando componentes proibidos ele dava vida a partes de metal.

Os membros do Gran-Conselho tinham a prática como ofício, mas temendo o uso inescrupuloso do conhecimento mantinham a técnica sobre controle.

CINCO ANOS ATRÁS

Sebastian da província de Turígia desenvolvera a técnica de dar vida aos metais, permitindo-os interagir com a cosmoenergia humana, mas essa descoberta não seria uma revolução na alquimia. Iron de Turígia, na posição máxima de governo da ilha, ouvidos os conselheiros das doze províncias, vetaram essa habilidade, proibindo sua prática por Sebastian.

O Gran-Conselho começa a monitorar os passos de Sebastian, e com a notícia de seus atos vindo a público, Sebastian se afasta de todos.

Com a chegada da guerra santa contra Poseidon, Atena, conhecedora da regra do Gran-Conselho, autoriza os Mestres Alquimistas a usar a técnica para a confecção das sagradas armaduras, utilizando para isso seu próprio sangue divino.

Com a benção de Atena foi criado o oficio de Artesão Alquimista, e anos após a criação da técnica por Sebastian a prática não mais era proibida.

Por ser o desenvolvedor da habilidade Sebastian tornou-se o primeiro líder do grupo de Artesãos Alquimistas, e como podia ter um aprendiz apresentou Arno de Tessalian.

Arno era pessoa reservada e sombria. Como aluno dedicado aprendia muito rápido o ofício, mas despertou interesse no uso de sangue morto retirado de criaturas sacrificadas. Sua insistência nessa prática causou sua expulsão como aprendiz, porém Arno ainda cursava a Acadêmia de Lemúria.

Fernan de Tessalian acompanhava Arno com cuidado, mas receoso de suas ideias diferentes influenciarem outros alunos mantinha a seu pupilo sob vigilância constante.

Arno não respeitava as regras a ele estabelecidas, e Fernan notificou o Gran-Conselho de seus atos reincidentes. Os conselheiros decidiram pela expulsão do lemuriano da ilha, e Arno deixou a ilha sem paradeiro conhecido.

Sebastian considerou a medida extrema, e revoltado procurou conhecer a técnica geradora de tamanha polêmica. O Mestre Artesão foi seduzido pela nova prática proibida, e como não poderia fazê-la em Lemúria seguiu o mesmo caminho de Arno.

A saída do segundo Lemuriano conhecedor da mesma técnica banida trouxe grande preocupação ao Gran-conselho.

As investigações de Fernan juntamente a seu irmão Melias informavam do refinamento da técnica por Arno, e a saída de Sebastian como simpatizante fez o Gran-Conselho se arrepender de sua decisão. Havia a solta um mestre e um aprendiz.

 A limitação geográfica de Lemúria levou o Gran-Conselho a contatar o Santuário de Atena, para apoio na localização de Arno e Sebastian.

MONTE ALCASUS - TEMPO PRESENTE

Arno sabia que naquela ilha inóspita e temida por todos  não seria encontrado, e poderia concluir seu plano de confrontar a todos, incluindo Lemúria, com os resultados de sua técnica refinada de alquimia dos materiais.

A energia de seu mestre artesão desaparecera, e a técnica proibida por Lemúria,  aperfeiçoada ao longo de tantos anos, estava livre para ser executada por suas mãos. Ele estava preparado para liderar um exercito forjado pelos desejos frustrados e sede de vingança dos muitos homens e mulheres espalhados na terra.

Acompanhando a tudo, em meio as mais profundas sombras estava Sebastian, que seguia cada passo de seu antigo pupilo.

A caixa de Pandora diante Arno se abre, e a bela armadura negra de escultor encontra-se montada.

Observando sua maior obra prima, Arno aguarda a chegada do dono do cosmo oculto que o acompanhava, e recentemente dava sinais de se revelar. Com a proximidade cada vez maior Arno não tinha mais dúvidas de quem se tratava. A silhueta se desenha entre os vapores do interior do Alcasus, e Sebastian de Turígia, o segundo desertor de Lemúria, acabara de chegar.

Em recordação a sua posição em Lemúria, Arno de coloca de cabeça baixa, em respeito a seu mestre, mas é interrompido por Sebastian.

— Não, Arno! Repreende Sebastian. — Levante a cabeça! Você não é mais meu discípulo. A técnica que criou esta joia diante nós é exclusivamente tua.

Arno estava surpreso.

— Nesta condição não sou mais teu mestre. Revela Sebastian. — Serei teu aprendiz.

Os olhos de Arno brilham.

— És meu pupilo. Afirma Arno, — Teremos muito a fazer. Tenho um exercito a construir e muito a conquistar.

Atento a tudo que acontecia naquela pequena ilha, de algum lugar místico além de um punhado de estrelas do céu, alguém observava com alegria.


AS ARTES ALQUIMISTAS NEGRAS COMEÇAVAM A CONSOLIDAR UMA NOVA AMEAÇA A ATENA.