terça-feira, 15 de agosto de 2017

Prelúdio - Memória da primeira Guerra Santa em sítio próprio


Após análise, entendeu-se que a estória "Prelúdio - Memória da primeira Guerra Santa" deveria seguir como estória solo.

Assim a estória encontra-se em sitio próprio.

Leia os dois últimos capítulos postados aqui, e continue acompanhando nossa estória por seu espaço próprio.

Phoenix no Ankaa
Administrador da Rede PNA MF

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Prelúdio - Ato 016 - Trégua


Ariadne estava feliz por reencontrar Aria pouco mais de um ano depois, e a batalha então finalizada não as havia permitido sequer um abraço. Elas caminham em sua direção uma da outra quando uma terrível cosmo-energia surge.

As amazonas se olham e se posicionam para um possível confronto.

— Este cosmo ... A mesma energia que destroçou nossa vila. Conclui Ariadne.

Aria pressentindo um ataque, a velocidade da luz salta a frente de Ariadne e toma todo o golpe emitido pela névoa que junto ao cosmo surgira. Uma longa risada ecoa e ouve-se uma voz.

— Parece que reencontrei minha órfã. E pelo que vejo se bandeou pro lado de Atena. Mas não se preocupe ... Darei um fim a essa história triste. Decidi por poupar sua vida a cinco anos atrás, mas estar com Atena ...

A névoa se dissipa e surge um homem. Vestido com uma reluzente escama do reino dos mares, se apresenta.

— Eu ... Dimmi de Kraken. O General Marina do Oceano Ártico! Terminarei o que deixei incompleto.

Aria se enche de fúria ao lembrar-se da destruição que ele causara.

— Foi você?! Dizimou toda a vila. Não o perdoarei!

Com um calma e um sarcástico ar de superioridade zomba o marina ...

— Então é você ... A “Senhora das aguas”. Aquela de que todos diziam. Aquela que dizimou meu exército. Não sabe o quanto a procurei, mas como é engraçado o destino, ele tarda mas não falha. Vamos ver se é tão “Senhora” assim de alguma coisa.

Preocupada com o cansaço físico de Ariadne por seu enfrentamento aos soldados marinas de Dimmi, e decidida a se vingar por todos da vila Aria afasta Ariadne e assume a luta.

— Proteja-se Ariadne! Diz — Eu acertarei as contas com ele!

Ariadne, inconformada, e tomada da mesma sede de vingança de Aria olha para a aquariana desolada.

— Mas ele matou minha família. Retruca. — E toda a minha vila.

Aria com autoridade olha para Ariadne.

— Não! Firme conclui Aria. — Não está em condições. Ela era minha casa também. Amava a todos apesar do pouco tempo. Acabarei com ele por todos nós.

Diante palavras decisivas resigna-se Ariadne, lançando um olhar marcado pela confiança em Aria depositado. Aria balança a cabeça em sinal de respeito a confiança recebida.

— Está bem. Diz Ariadne. Confio em você. Acabe com ele!

Com um ar de deboxe interrompe Dimmi.

— Já acabaram-se as despedidas? Não se preocupe, garota de Cisne ... serás a próxima.

Aria de Aquário e Dimmi de Kraken ficam cara a cara, atentos a todos os movimentos um do outro, prontos para o confronto. Naquele ambiente tenso Dimmi quebra o gelo com provocações.

— Fiquei impressionado com vocês. Primeiro você de Aquário ... derruba um a um meus soldados a cinco anos atrás. Agora essa menina de Cisne faz o mesmo. Não que eu me importe com eles, pois não valem tanto assim pra mim. Mas isso é uma fronta a Poseidon, o Senhor dos Mares!

Dimmi abre os braços, mostra a Aria os arredores do local, e continua.

— Um deus muito maior que Atena, residente nesse mundo há muito mais tempo que ela. Uma menina mimada, nada mais que a filha rebelde de Zeus. Poseidon é o verdadeiro senhor da Terra, e garantirei essas terras a seus domínios.

O marina, com uma tranquilidade inabalável, olha no fundo dos olhos da amazona, em meio ao pó de diamante que caia. Ele corrige sua postura, muda de semblante e chama Aria para a luta.

— Vamos Aquário. Não temos tempo a perder. Prepare-se para conhecer a técnica que destroçou aquele vilarejo sujo, e que ira acabar com cada uma de vocês. Já que escolheu ser a primeira ...

Dimmi faz cair flocos de neve e após o leve escurecimento do céu, ele concentra a energia da aurora em suas mãos. Com os braços abertos uma descarga elétrica percorre a distância entre as mãos, da energia acumulada em cada mão. Juntando os braços á frente uma grande carga de ar congelado, roubado do ambiente, é lançado em direção a Aria.

— Morra! Grita Dimmi. — Aurora Boreal!

Aria, surpresa com a intensidade do poder atirado, movimenta suas mãos no sentido de bloquear a técnica.

Um marca no chão de neve fica, feita pelos pés da amazona que fora arrastada duzentos metros para trás da posição em que recebera o golpe. A força devastadora da Aurora Boreal fora contida, mas Aria agora sabia pelo que passara a vila de Graad.

Cansada, e impactada pelo último golpe recebido, Aria se posiciona para atacar diante Dimmi admirado.

— Ainda de pé, Amazona. Zomba Dimmi. — Muito me admira ter suportado minha técnica. Mas saiba que lancei um golpe de força reduzida. Não quis destruir teu belo rosto. Planejava contemplá-lo ao retirar a máscara de teu cadáver, mas já que insiste que seja pra valer farei o que desejas.

Aria movimenta a cabeça em sinal de desdém.

— Reduzido? Indaga de forma sarcástica. — Logo vi. Pude conter sem muito esforço. Esperava mais de um General Marina de Poseidon. Que decepção! Na próxima ... mande tudo o que tens. Não se importe com o belo rosto por detrás da máscara, pois ele é mais letal do que possa pensar!

Aria levanta a cabeça, e se posiciona.

— Sou uma Guerreira de Atena!

Apesar das frases determinadas Aria estava preocupada com a força do ataque do marina, dito de poder reduzido.

— Tenho que me concentrar. Pensa Aria. — Este ataque quase acaba com a luta. Se não fosse a armadura de ouro ...

Certa da necessidade de demonstrar equilíbrio na luta desafia Aria.

— Vamos acabar logo com isso!

O ar frio começa a se concentrar de volta do seu corpo, com o intensivo aumento de seu cosmo. Dimmi se assusta com o repentino aumento do cosmo da sua oponente. Extremamente agressivo, o cosmo de Aria atrai todo o ar frio do ambiente deixando o ar próximo a Dimmi mais quente, além da terrível chuva de neve que provocara. O marina se prepara para receber uma grande técnica.

Aria com grande frieza, visto a afastamento de todos os sentimentos naquele momento, dispara o ar frio em direção ao adversário revelando sua técnica.

— Pó de Diamante!

Dimmi, apavorado, vê uma grande quantidade de ar frio partindo como um cometa em sua direção. Ele tenta bloquear, mas é arremessado a quilômetros de distância.
Diante o sucesso aparente Ariadne se empolga.

— Conseguiu! Você conseguiu! Diz.

Aria balança a cabeça e retruca.

— Não se engane! Não subestime teu adversário. Esse pode ser seu último erro!

Aria caminha em direção ao local onde Dimmi foi arremessado e sente seu ombro dolorido. O impacto do pimeiro golpe e da Aurora Boreal causara-lhe aquela sequela.

Em meio à nuvem de neve encontra-se de pé, Dimmi, já sem seu elmo e com parte de sua armadura destruída. Ariadne fica apavorada com a resistência do marina.

O marina se ajeita de pé e dá uma gargalhada.

— Usuahahahahaha. Acredito que dosou o teu ataque. Não posso crer que isso seja tua força máxima.

Agora, é Aria que ri.

— Engraçado, diz. — É a primeira vez que dizes algo coerente. Não conheces meu verdadeiro poder, mas terá oportunidade. Vejamos o poder em seu máximo explendor no seu próximo ataque.

Dimmi fica sério, e deixa Aria confusa com suas palavras.

— Não! Diz Dimmi. — O Kraken ... Conhece a lenda? Vou te contar. O justiceiro dos mares. O Kraken é uma criatura lendária que habita os mares glaciais: O Oceano Ártico. Uma vez alcançado pelo Kraken nada resiste. Mas o Kraken não mata inocentes, apenas barcos que levam a bordo ódio e ganância. Ele os castiga sem dó, e é impassível diante do mal.

O marina inclina-se em reverência.

— Ele o destrói completamente, e sentimentos diante do inimigo são sinais de fraqueza. Admiro sua frieza diante o adversário. Sei que estás machucada pelos golpes que te apliquei. Também estou machucado pelo seu Pó de Diamante. És a melhor de meus adversários até hoje.

Séria, Aria meche a cabeça em sinal de agradecimento. Dimmi Ajeita um pedaço de sua escama partido, e prossegue.

— E quero uma luta inteira com esse adversário de valor. Quero que lutemos com todas as nossas forças. Quero o máximo de teu poder para que possamos medir nossas forças. O empate não é aceitável. O Kraken não empata quando devora o mal. A superarei em teu poder máximo, assim proponho um trégua.

Aria sente a força do cosmo de Dimmi enfraquecida e percebe a veracidade de suas palavras e intenções. Dimmi toca o peito atingido pelo Pó de Diamante de Aria.

— Nos recuperaremos e nos veremos de novo. O que você me diz? Indaga Dimmi.

Por alguns segundos, o silêncio paira no ar. Aria admite que não poderia dar o melhor de si com o ombro machucado.

— Concordo. Responde Aria. — Vieste em meu mundo. Terminaremos essa luta no seu. Uma luta sem tréguas, até que sobre apenas um: O vencedor.

Dimmi vira-se de costas e segue de volta ao mar.

— Certo! Nosso reencontro está marcado. Te esperarei.

Ele some e Aria cai. Ariadne a ampara.

— Dói. Diz Aria. — Meu ombro. Conter a Aurora Boreal quase me custou um braço.

Ariadne lembra-se das palavras de Dimmi.

— E tinha poder reduzido. Completa Ariadne.

Aria, mesmo com muita dor, ri da inocência de sua companheira amazona.

— Não creio. Rebate Aria — Disse aquilo para me intimidar. Mostrar superioridade a uma mulher. Mas já conheço sua técnica, e isso é o mais importante.

Aria, como mestra, instrui Ariadne.

— Cuidado, Ariadne. Não subestime o adversário. Nunca!

Como uma boa aprendiz, Ariadne tudo ouve e compreende.

Ariadne leva Aria até a vila para receber cuidados médicos e se recuperar daquele difícil confronto.

A amazona de Aquário tinha um desafio a vencer em breve. Os destinos de Aria e Ariadne mudariam por completo após conhecerem aquele homem.


O MAL VINDO DO MAR QUE OUTRORA TIRARA MUITAS VIDAS SE REVELA. UMA BATALHA FEROZ, UMA TRÉGUA E UM NOVO DESTINO. O QUE AGUARDARÁ ESSE CONFRONTO FINAL?

Capítulo 022 – O Mestre e o Aprendiz


Em algum lugar do oceano Pacífico Sul, numa ilha marcada pelo calor e pelo pesado clima acinzentado, havia um homem observando o cosmo negro que acabara de desaparecer numa região mais ao norte do oceano Atlântico. Esse cosmo extinto intrigava esse homem e seu grande cosmo.

Na cratera do vulcão domado Alcasus, estava um homem de cabelos curtos castanho-avermelhados, porte imponente e olhos vermelhos como fogo.  A calça manchada de cinza e as sandálias surradas descreviam alguém que já era parte do cenário.

A aura negra fazia brilhar certo espaço entre as estrelas do céu, onde se dizia existir um portal para um mundo escuro de fogo e de dor.

Silencioso, seu olhar fitava o horizonte, e a sua mente tentava acertar o nome daquele que fechara os olhos do pavão  negro em terras distantes dali.

Mais ao centro, em meio a lava borbulhante estava um homem de idade mediana, ao menos na aparência. Nas mãos tinha instrumentos, e um estranho brilho reluzente saia das ferramentas, a cada batida nas peças que tratava. Trabalhava na construção, como no entalhar de uma escultura em pedra.

Ele estava a esculpir metal. O raro gamanium era mesclado a cinzas e ouro, banhado com o sangue dos muitos homens mortos ao redor do mundo.  O vermelho do liquido humano permanecia como se vivo naquele vulcão. As cinzas expelida tornavam o ambiente ainda mais sombrio, aumentando a cada partícula a aura de morte e desespero que percebia-se até bem longe da ilha no mar adentro.

Nenhum pescador, nem navegador experiente ousavam se aproximar da costa sequer para buscar água. Os boatos davam conta daqueles que aportaram e nunca voltaram, e das grandes fortunas em ouro, prata e bronze de homens que ali sucumbiram. As caraças de embarcações, bem como diversas partes de barcos que ainda batiam contras o paredão rochoso da ilha, podiam ser vistas a léguas de distâncias mar adentro, e davam veracidades as narrativas.

A temível ilha era chamada por todos de “Ilha da rainha da morte”. A morte reinava, e por não se ouvir sons, se dizia ser trazido pelo silêncio de uma rainha.

No vulcão o artesão de metal concluía reparos em uma de suas obras primas. O traje em forma de caranguejo tinha um brilho negro especial, revelando o mistério da alquimia dos metais. O metal vivo pulsava, como se em resposta ao cosmo de alguém.

O novo brilho do traje traz até o artesão o dono do cosmo que o fazia pulsar.

— Arno, meu caro ... Ecoa voz já interior do vulcão.  — Terminou com minha armadura?

— Sim,  Abdon. Responde o artesão. — Seu brilho será ainda maior do que quando usado por seu antecessor.

— O que é isso artesão? Ironiza Abdon. — Não falemos dos mortos. Pelo menos seu sangue serviu para deixá-la novinha em folha para mim:  Abdon, o líder dos cavaleiros e amazonas negros pelo mundo.

— Muito bem então! Comenta Arno.

Abdon toca a armadura, e passando os dedos sobre o metal levemente doirado, aquece seu cosmo. A armadura o veste e ele sente seu poder intensificado.

— Poderoso Adonis! Admira-se Abdon. — Foi uma vitória difícil, mas seu sangue inflamado de cosmo continuara sua jornada ao meu lado. Sob meu comando.

O cavaleiro negro de Câncer desmonta seu traje, e dali sai com sua caixa de Pandora nas costas.

Além de Lord, Abdon tinha outros nove cavaleiros negros sob seu comando.

A tarde se vai, e sob a luz avermelhada do crepúsculo, ainda no centro do vulcão estava Arno a meditar. As bolhas de gás que subiam, por causa do ambiente quente, explodiam formando um espetáculo de cores em clarões cintilantes. Em meio às luzes surge um cosmo agressivo.

Da lava borbulhante surge uma caixa de Pandora negra. A caixa se abre e uma armadura negra reluz prateado em meio às explosões de gases.

A mente de Arno passariam tristes lembranças de sua terra natal, e daqueles que ele um dia chamou de irmãos.

QUATRO ANOS ATRÁS

Arno estava em sua oficina trabalhando com metais. Ele era um dos melhores alquimistas da ilha, em formação pela Academia de Lemúria.

Ele era primo do Gran-Mestre Iron de Turígia, e estava sob a orientação de Fernan de Tessalian, Mestre Alquimista da província no Gran-Conselho e grande sábio.

Secretamente Arno fazia experimentos considerados proibidos pelo Gran-Conselho. Usando componentes proibidos ele dava vida a partes de metal.

Os membros do Gran-Conselho tinham a prática como ofício, mas temendo o uso inescrupuloso do conhecimento mantinham a técnica sobre controle.

CINCO ANOS ATRÁS

Sebastian da província de Turígia desenvolvera a técnica de dar vida aos metais, permitindo-os interagir com a cosmoenergia humana, mas essa descoberta não seria uma revolução na alquimia. Iron de Turígia, na posição máxima de governo da ilha, ouvidos os conselheiros das doze províncias, vetaram essa habilidade, proibindo sua prática por Sebastian.

O Gran-Conselho começa a monitorar os passos de Sebastian, e com a notícia de seus atos vindo a público, Sebastian se afasta de todos.

Com a chegada da guerra santa contra Poseidon, Atena, conhecedora da regra do Gran-Conselho, autoriza os Mestres Alquimistas a usar a técnica para a confecção das sagradas armaduras, utilizando para isso seu próprio sangue divino.

Com a benção de Atena foi criado o oficio de Artesão Alquimista, e anos após a criação da técnica por Sebastian a prática não mais era proibida.

Por ser o desenvolvedor da habilidade Sebastian tornou-se o primeiro líder do grupo de Artesãos Alquimistas, e como podia ter um aprendiz apresentou Arno de Tessalian.

Arno era pessoa reservada e sombria. Como aluno dedicado aprendia muito rápido o ofício, mas despertou interesse no uso de sangue morto retirado de criaturas sacrificadas. Sua insistência nessa prática causou sua expulsão como aprendiz, porém Arno ainda cursava a Acadêmia de Lemúria.

Fernan de Tessalian acompanhava Arno com cuidado, mas receoso de suas ideias diferentes influenciarem outros alunos mantinha a seu pupilo sob vigilância constante.

Arno não respeitava as regras a ele estabelecidas, e Fernan notificou o Gran-Conselho de seus atos reincidentes. Os conselheiros decidiram pela expulsão do lemuriano da ilha, e Arno deixou a ilha sem paradeiro conhecido.

Sebastian considerou a medida extrema, e revoltado procurou conhecer a técnica geradora de tamanha polêmica. O Mestre Artesão foi seduzido pela nova prática proibida, e como não poderia fazê-la em Lemúria seguiu o mesmo caminho de Arno.

A saída do segundo Lemuriano conhecedor da mesma técnica banida trouxe grande preocupação ao Gran-conselho.

As investigações de Fernan juntamente a seu irmão Melias informavam do refinamento da técnica por Arno, e a saída de Sebastian como simpatizante fez o Gran-Conselho se arrepender de sua decisão. Havia a solta um mestre e um aprendiz.

 A limitação geográfica de Lemúria levou o Gran-Conselho a contatar o Santuário de Atena, para apoio na localização de Arno e Sebastian.

MONTE ALCASUS - TEMPO PRESENTE

Arno sabia que naquela ilha inóspita e temida por todos  não seria encontrado, e poderia concluir seu plano de confrontar a todos, incluindo Lemúria, com os resultados de sua técnica refinada de alquimia dos materiais.

A energia de seu mestre artesão desaparecera, e a técnica proibida por Lemúria,  aperfeiçoada ao longo de tantos anos, estava livre para ser executada por suas mãos. Ele estava preparado para liderar um exercito forjado pelos desejos frustrados e sede de vingança dos muitos homens e mulheres espalhados na terra.

Acompanhando a tudo, em meio as mais profundas sombras estava Sebastian, que seguia cada passo de seu antigo pupilo.

A caixa de Pandora diante Arno se abre, e a bela armadura negra de escultor encontra-se montada.

Observando sua maior obra prima, Arno aguarda a chegada do dono do cosmo oculto que o acompanhava, e recentemente dava sinais de se revelar. Com a proximidade cada vez maior Arno não tinha mais dúvidas de quem se tratava. A silhueta se desenha entre os vapores do interior do Alcasus, e Sebastian de Turígia, o segundo desertor de Lemúria, acabara de chegar.

Em recordação a sua posição em Lemúria, Arno de coloca de cabeça baixa, em respeito a seu mestre, mas é interrompido por Sebastian.

— Não, Arno! Repreende Sebastian. — Levante a cabeça! Você não é mais meu discípulo. A técnica que criou esta joia diante nós é exclusivamente tua.

Arno estava surpreso.

— Nesta condição não sou mais teu mestre. Revela Sebastian. — Serei teu aprendiz.

Os olhos de Arno brilham.

— És meu pupilo. Afirma Arno, — Teremos muito a fazer. Tenho um exercito a construir e muito a conquistar.

Atento a tudo que acontecia naquela pequena ilha, de algum lugar místico além de um punhado de estrelas do céu, alguém observava com alegria.


AS ARTES ALQUIMISTAS NEGRAS COMEÇAVAM A CONSOLIDAR UMA NOVA AMEAÇA A ATENA.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Prelúdio - Ato 015 - A Senhora das Águas


Um ano antes da derradeira vitória de Atena sobre Poseidon nasceriam três gerações de soldados para a confraria de Atena. Territórios de Atena iam sendo retomados pouco a pouco, e a vila de Graad foi um desses locais.

Na região da Sibéria, das águas geladas do mar ártico saiam grandes grupos de marinas. Ariadne de Cisne, recém consagrada Amazona de Bronze, os combatia, mas a velocidade com a qual saiam do mar ameaçava a segurança da vila de Graad, localizada a quilômetros dali.

Com muita agilidade Ariadne derrubava grupos inteiros com apenas um golpe, mas depois de muito tempo lutando solitária se esvaiam suas forças e tudo parecia perdido.

Quando a invasão parecia inevitável eis que surge a leste uma grande massa de ar frio, os marinas viram estátuas de gelo e em seguida pó. O mar virou uma pista de gelo, forçando o recuo das forças de Poseidon.

Chegara Aria de Aquário para ajudar. Ariadne olha para ela e sorri.

— A Amazona de Aquário ...

Séria como de costume, Aria demonstra preocupação com sua companheira amazona.

— Estás bem Ariadne?

Apesar do tempo, era nítido que a Aria mudara muito pouco.

— Sim. Responde a jovem amazona.

— Observava tua performance. Continua Aria. — Tens força de vontade e lutas com amor, mas é necessário que eleves teu nível de cosmo. Teu ar frio pode ser derrotado, caso enfrentes alguém mais forte.

A amazona de Bronze atenta e respeitosa pela posição de Aria, compreende suas palavras e sinaliza positivamente com a cabeça.

— Treinarei mais!

Ariadne lembra-se de um tempo atrás, pensa em voz alta e resmunga.

— A Senhora das Águas.

Aria se surpreende com o que acabara de ouvir.

— Senhora das Águas ... Pensa.  — Há tempos não ouvia esta frase.

À mente da amazona dourada pairam lembranças, algumas doces e outras nem tanto.

UM ANO ATRÁS

Sentados em volta de uma antiga fonte, ao centro da vila de Graad - leste da Sibéria -, Aria, uma jovem moradora do local há por volta de dois anos, junto a algumas crianças brincava. Aria tinha o dom especial de transformar água em gelo, e naquele momento brincava com seu poder para a admiração de todos.

— Como você faz isso? Curiosa, pergunta a pequena Ada.

— Isso é muito legal!  Faz um pra mim também. Pediam as crianças.

Mas seu dom não era bem visto por algumas pessoas mais antigas da vila.

— Venha aqui Ada! Diz uma senhora. — Saia de perto dessa bruxa. Não é bem vinda aqui! Volte para o lugar de onde veio! Moça estranha!

Outras mães surgem e levam seus filhos, mas uma menina um pouco maior que as outras, aparentemente uns cinco anos mais nova que Aria permanece.

— Por que você não vai também? Pergunta Aria.

A menina abre um largo sorriso.

— Porque não quero. Afirma a menina.  — Gosto de teu dom. Gostaria de ter um igual ao teu. Gostaria de ser especial em alguma coisa, como você é ... “A Senhora das Águas”. O que você acha do nome?

Aria se encanta com a inocência da menina.

— Legal. Responde Aria. — Não me acha uma “bruxa”? Intrigada pergunta Aria.

A menina olha com carinho para Aria.

— Não. Responde. — Só acho que deverias sorrir mais.

Aria sorri depois de conselho de tão jovem pessoa.

— Fica mais bonita. Continua a menina. — Olhe só.

A menina aponta o espelho de água da fonte e Aria se vê sorrindo.

— Gosto de você. Diz a menina. — Pena que nunca sorri.

Acalentada pelas doces palavras, Aria agradecida mostra sua admiração.

— Obrigada. Diz Aria.— Também gosto de você. É simpática. Mas, qual o teu nome?

A menina inocente brinca.

— Meu nome ... Começa a menina. É quase tão bonito quanto o teu. Me chamo Ariadne.

A mãe da menina a chama e ela corre em sua direção.

— Aria, a “Senhora das Águas” ... É minha amiga. Diz a menina correndo.

A mãe de Ariadne olha para Aria, e amistosamente acena e sorri. Aria fica ali pensativa em tudo que ouvira.

Os dias passam e as forças de Poseidon chegam a vila. Os homens e jovens deixam as mulheres e crianças abrigadas nas casas, e ao barulho do grande sino pegam suas ferramentas de trabalho para defender sua terra natal. Em meio a mobilização, ainda sem saber o acontecia Aria é interpelada por um senhor que partia para batalha.

— Saia daqui. Procure um abrigo. Os monstros vindos do mar estão invadindo a vila. Proteja-se, querida!

Atordoada Aria vê uma criança encolhida perto da fonte e apavorada com todo o barulho e movimento. Aria a reconhece. É Ada, a menina cuja mãe a chamou de bruxa.

— Venha comigo pequena! Diz Aria.

A menina a reconhece e mostra total confiança.

— A moça do gelo. Diz a menina abraçando-a a forte.

Aria, admirada pela confiança demonstrada pela menina, sorri, agindo imediatamente.

— Vou te levar pra casa. Sobe no meu colo. Acolhe a menina Aria.

Ao se aproximar da casa ela vê a mãe da criança aos prantos, mas ao ver a filha nos braços de Aria um brilho de alívio surge em seus olhos.

Ela solta a menina, e quando a criança já está nos braços da mãe Aria dá as costas e segue embora. A mãe da menina a interrompe.

— Espere! Por favor! Obrigada por salvar minha menina. Desculpe o que disse para você. Salve a vila. Use seu poder. Sei que podes ajudar. Te peço ... Senhora das Águas!

Agora mais intrigada do que nunca, Aria para e volta seu olhar a senhora.

— Onde ouviu isso? Indaga Aria surpresa.

A senhora, visivelmente humilde, responde.

— Ouvi a menina Ariadne dizer. Que não era uma “bruxa”, mas a “Senhora das Águas”. Que um dia seria como você e salvaria alguém. As crianças com sua inocência sabem ler a alma das pessoas. Se ela viu em tua alma a esperança, eu acredito nisso. Eu confio em você.

Os marinas avançam mais e mais e não sucumbem às rústicas ferramentas dos moradores da vila que recuam.

O homem retornando vê que Aria continua no mesmo local que outrora vira.

— Volte menina! Diz ele. Não deverias estar aqui. Eles são muitos. Não conseguiremos vencer.

Aria, certa de que poderia fazer algo, movimenta teus braços e uma cortina de neve varre a entrada da vila em direção aos inimigos.

Os homens viram-se e ao dissipar da nuvem de gelo veem que os “monstros do mar” viraram estátuas de gelo, e uma delas se esfarela diante seus olhos.

Surpresos com o ocorrido olham para Aria e partem ao campo de batalha destruindo as estátuas de gelo restantes. O homem que outrora dissera a Aria que se abrigasse, com um movimento de mão cede a jovem a liderança do grupo.

Um corredor se abre e Aria passa sob o olhar confiante de todos.

— Vamos! Diz o homem. Essa é nossa terra! Temos a Senhora das Águas do nosso lado! Vamos lutar!

Aria levanta a névoa de gelo trecho a trecho, e os homens e jovens destroem a estátuas de gelo.

Os marinas recuam para o mar. Todos retornam felizes com a agradável sensação de vitória.

Aria passa a ser aclamada como “Senhora das Águas” e torna-se amada por todos, contando com a confiança de todas as mães ao brincar com seus filhos.

Por teu feito Atena chega a vila em busca de Aria. Aria parte com a deusa à Atenas.

Na ausência de Aria, apesar da esperança e grande garra dos moradores da vila, esta sucumbe ao segundo ataque de Poseidon, dias depois de sua partida.

Aria, bem longe da vila, sente que algo errado ocorrera a vila. Com a permissão de Atena e acompanhada volta àquelas terras geladas. A vila em destroços tinha apenas três sobreviventes: Ada, sua mãe e Ariadne.

Aria chega perto da fonte, mantida intacta pelos marinas, e apavorada pela devastação causada pelo inimigo ouve uma voz. Olha em volta e descobre vir de uma pilha de escombros próximo dali. A casa de Ada.

— Aria ... Aria ... Aqui! Diz a voz.

Aria vê uma mão ensanguentada movimentando-se em tua direção.

— Senhora das Águas ...

Aria revolve os escombros e vê as três sobreviventes.

— Lutamos ... Diz a senhora. — Resistimos ...  e quase vencemos. Mas do mar veio um demônio. Usava uma armadura amarelada, que só em mexer os braços acabou com tudo. Não tivemos chance contra ele.

A senhora tosse, e o sangue que sai de sua boca mostra seu estado de saúde.

— Consegui me esconder aqui, mas não resistirei ... Cuide de minha filha e de Ariadne. Sua família foi dizimada.

Empenhada em salvar a todos, inclusive a senhora, Aria se levanta.

— Não. A senhora vai viver. Buscarei ajuda. Retruca Aria.

Sabendo de seu destino, interrompe Aria a senhora.

— Não. Não vá. Diz a senhora puxando Aria pelo braço. — É perigoso. Salve as crianças.

A senhora tosse uma última vez.

— Elas são protegidas dos céus, pelas constelações de Cisne e Aquário. Elas são especiais. Cuide delas! Senhora das Águas ... Eu te rogo.

A senhora tem uma taquicardia e suspira.

— Vejo uma jovem de branco. Diz. — Um anjo? Ela pega minha mão ... e toca minha testa. Será um sonho?

Tranquila e certa do que era tal visão sorri Aria, com uma imagem a mente.

— Atena! Conclui Aria. — A senhora está em boas mãos. Está salva.

As meninas olham para Aria com um singelo brilho nos olhos. A confiança estava estampada nos sorrisos de Ada e Ariadne, que apesar da morte ao lado permaneciam calmas.

— Atena! Diz Ada. — Mamãe se foi com Atena.

O espírito de Atena olha para as meninas e sorri, enquanto ascende aos céus com a mãe de Ada.

Ada dá a mão a Aria, que sorri e pega a mão de Ariadne seguindo ao que seria a nova casa das meninas. Sig e Anryu as esperavam. Sig brinca com Ada que a ele sorri. Uma pequena embarcação os aguarda e todos seguem na longa jornada a Atenas. Anryu brinca com maçãs e diverte as meninas. Sig pilota o barco, e Aria a proa pensa no destino e seus artifícios, por vezes cruéis.

DE VOLTA

Os grupos de marinas foram derrotados, e as amazonas, nostálgicas com a história e energia do local estavam felizes pelo reencontro, mas uma forte onda de cosmo varre o continente advinda do mar.

Algo mais reservara aquele dia para o exército de Atena.


A MORTE LIGANDO PARA SEMPRE TRÊS DESTINOS. UMA NOVA CHANCE DE VIDA EM NOME DE ATENA.

sábado, 27 de maio de 2017

Capítulo 021 - Amazona e Aura


Os meses passam e Riana, uma das mais novas recrutas, de origem desconhecida, se destaca nas fases iniciais do treinamento. Pouco se sabia de sua constelação guardiã, mas que seria uma grande amazona não se tinha dúvidas.

O desejo de Riana de rever sua família era revertido em determinação de sagrar-se amazona de Atena, e futuramente proteger toda a sua localidade dos mercenários que por ali viviam.

VILA DE GALES

A vila de Gales era um local pacato. Como terra de camponeses, seus habitantes viviam junto ao bosque com a colheita de grãos, sementes, caça e extrativismo da exuberante floresta repleta de espécies alimentícias e curativas.

Pouco depois dos confrontos contra os soldados que vinham do mar e retomada da ilha, muito havia para ser reconstruído. O clima era bom até o momento que um grupo de mercenários surge garantindo proteção e cobrando altos preços pra isso.

Além da cobrança de porcentagens e até mesmo porções inteiras de alimentos e caça, os mercenários levavam as mulheres e meninas como pagamento. Quem aceitava dar suas filhas, pressionado pela violência física e psicológica que sofriam, nunca mais as viam.

Eles viviam na parte densa da floresta, na porção que seguia por dentre as colinas distantes. Nesse local ninguém ousava entrar. Os que se propunham a caçar nessa região não retornavam, e as cabanas de caça estavam abandonadas.

Com a saída de Riana, dada aos mercenários como pagamento, e de sua partida com a mulher do exército de Atena, Gales vivia em paz. Desse momento de alegria já havia se passado dois anos.

Os Mercenários foram expulsos pelas famílias, que rejeitaram sua “proteção” em tempos de paz.

Na mata fechada, envoltos pelo esquecimento que o tempo trouxera, um grupo de mercenários resolveram voltar em breve a Gales. Em especial pretendiam visitar uma residência, a do Sr. Paul.

TEMPO PRESENTE

Estava tudo organizado e a tropa de mercenários desce mata afora pela madrugada.  Todas as casas foram abordadas, e para a residência do Sr. Paul haviam cinco homens cercando a casa por todos os lados.

A senhora Rita e o Sr. Paul foram isolados, e dois homens procuravam pelas jovens Maria e Annie.  As jovens magras e de cabelos castanhos estavam tão formosas quanto a irmã na mesma idade.

As meninas se esconderam no porão, e de lá podiam ver a movimentação nas ruas. O que se via eram grupos de três homens invadindo cada casa da vila. Gritos de mulheres eram ouvidos, e o cenário era do completo terror de dois anos atrás.

A situação caótica fez Maria se enfurecer, e em volta de seu corpo surgiu uma luz azulada. Ela se levantou, e pela porta do porão foi derrubando um a um dos quatro homens que ali estavam.

Ela salva seus pais, e sai de casa em casa provocando o terror dessa vez entre os mercenários. Os que percebiam fugiam, mas Maria estava no limite de suas forças e cai.

SANTUÁRIO

A onda de cosmo emanada por Maria atinge diversas pessoas sensíveis do Santuário, em especial Rivia pelos laços familiares.

Temendo pelo pior, visto a súbita interrupção da transmissão de cosmo, Luge identifica como conhecido o rastro deixado pelo cosmo, e buscando Sarah parte para aquelas terras.

VILA DE GALES

Os mercenários, que se beneficiavam do caos causado e da debilidade da maioria dos moradores, vê a necessidade da retirada pela aproximação de Maria. Com a queda da jovem os planos incluem levá-la as áreas mais altas, visto o levante popular que se construía, quando um novo despertar de cosmo ocorre.

A luz emanada por Annie, como flecha cega a todos. O clarão se dissipa em pequenos pontos luminosos que queimavam os agressores como lava vulcânica. Maria estranhamente se encontrava de pé, como se não houvesse caído há momentos atrás esgotada.

Os mercenários estavam atônitos, quando dois clarões de luz surgem do nada, como um portal para outro mundo. Luge e Sarah surgem em meio a todos, e um grande impacto é sofrido por todos os invasores. A grande pressão por todo o corpo fazem todos perderem a consciência. A técnica de Luge elimina toda a ameaça a vila de uma só vez.

Annie também fica esgotada, mas antes de cair é amparada por Maria. Segundos antes de apagar por completo a menina sorri ao se ver nos braços de Maria.

— Eu te protegi.  Balbucia Annie. — Eu te protegi.

Luge e Sarah são reconhecidos pela família, e Luge completa.

— Você conseguiu sim. Você protegeu sua irmã.

A menina desmaia por completo com um sorriso no rosto.

Todos começam a enxergar em volta depois do grande clarão, e sorriem pela presença do casal que outras vezes ali estiveram para ajudar.

Luge pega Annie no colo, e se aproximam da casa das meninas sendo calorosamente recebidos pelo casal Rita e Paul. Luge deixa as meninas no quarto, olha para Sarah e sai. A aura sabia o que se passara na mente de Luge, e tenta contê-lo. Luge a afasta, e sinaliza que não.

No lado de fora, em meio aos tantos corpos dos invasores jogados para fora das casas, Luge vê um dos mercenários que sai atordoado dos fundos da casa de dona Rita.

O aurum sai em sua direção, mas uma voz mais atrás o contém.

— Pare Luge! Afirma. — Essa não é sua missão aqui.

Era Sig de Gêmeos que acabara de se teleportar pelo espaço-tempo.

— Mas ... Revolta-se Luge. — Senhor ... Eles matam a todos, machucam as mulheres. Eles precisam ...

Sig retruca Luge, olhando fixamente em seus olhos.

— Eu sei.  Responde. — Mas isso não é sua missão aqui. Garanta a integridade da amazona e da aura. Eu cuido do resto. Será pior do que você faria.

Luge, resignado obedece. Ele segue para a casa das jovens, onde junto a Sarah explica tudo o que viria depois, além de ajudar a arrumar a bagunça que haviam deixado.

Sig percebeu que os mercenários largados na área central da vila acordariam, e lhes aplica a técnica “Outra Dimensão”. Os que por ali estavam se assustam com o poder de Sig,.  O jeito calado o aurum não ajudavaria muito.

— Somos do exército da deusa Atena. Explica Sig aos presentes. — Lutamos por justiça, e eles terão o castigo devido. Hoje serão três filhas de Gales no exército de Atena,  ajudando a quem precisa. A luz da justiça nunca abandonará esta vila. Saibam disso.

Sig encontra com o mercenário que seria massacrado por Luge, poupado da viagem, interdimensional por um único propósito.

— Leve-me onde estão os outros mercenários. Ordena Sig.

— Não farei isso. Nunca! Retruca o homem.

— Parece que vou ter que pegar pesado com você. Alerta o aurum.

Sig inflama seu cosmo, e um grande brilho como uma flecha atravessa a cabeça do mercenário. Ele sente ser tomado pela luz, e não mais tem o controle de sua vontade.

— Tenho o controle. Anuncia Sig. — Agora me leve onde quero ir.

O homem segue mata adentro para o espanto de todos.

Luge e Sarah sentem que a tensão que trazia Sig se dissipara.

A madrugada já estava avançada e ao amanhecer as meninas seguiriam para o Santuário de Atena para se juntarem a Rivia, futura amazona de Ursa Menor, em moradia própria para as três. A casa estava localizada num vilarejo em formação nos arredores do Santuário.

O dia está nascendo, e a vila parecia respirar aliviada daquela noite tenebrosa.  Maria e Annie seguem com Sarah e Luge. Sarah estava feliz, mas Luge estava distante. Ele não tirava da cabeça a frase ouvida da própria boca de Sig: “Será pior do que você faria”.

— Que espécie de homem seria Sig. Pensava Luge, visto o que ele tinha em mente fazer com aquele invasor.

O dia amanhece e no meio da mata fechada estava Sig, oculto entre as árvores de onde se observava o quartel general dos mercenários.

Com a forte efusão dos raios de sol ficava mais visível a construção semelhante aos templos do Santuário montanha acima. Um enorme clarão na mata se via, e mais ao pé do morro havia uma espécie de campo de treinamento, como se ali se formassem cavaleiros e amazonas. Um caminho de pedra morro acima levaria a uma grande construção no ponto mais alto da clareira, um exuberante templo digno da liderança daqueles soldados.

A marionete de Sig seguia, e ninguém se importava com sua presença. Ele seguia pedra acima, e Sig podia perceber o número de guardas e as dificuldades do caminho.

Quando da chegada do mercenário a entrada de um templo mais simples, após o campo de treinamento, o controle de Sig é subitamente interrompido. Um cosmo negro poderoso emana e inunda o local. A reação de todos é de medo, pois o líder dos mercenários desceria a base da montanha.

Minutos depois um homem de porte grande, coberto com uma capa foi abrindo caminho, olhando para o ponto da mata onde se encontrava Sig e rindo alto.

— Parece que Atena está recrutando covardes agora. Zomba o líder dos mercenários. — Ratos que se escondem nas sombras.

— Seus olhos me acharam Pavão. Retruca o ainda oculto Sig. — Os percebi desde que cheguei aqui.

O homem misterioso sacode sua capa e a retira. Um brilho negro exótico reflete os raios de sol..

— Sou Lord, o Pavão Negro! Em voz alta se apresenta o líder dos mercenários. — Mas ... por que se oculta, Cavaleiro? Será de ouro ou prata. Alguém de bronze não se atreveria a vir até aqui.

Sig sai para a luz, para o clarão do sol já intensificava o dia.

— Sou Sig, mas não sou cavaleiro. Responde. — O que sou não posso dizer, mas também você não entenderia.

— Seja como for, não importa, pois estará morto nos próximos minutos. Lord estava confiante. — Assim sem proteção será muito fácil.

Sig ri, e sua crystalus começa a se montar em seu corpo.

— Nunca vesti uma armadura, e não perdi para ninguém até agora. Vamos ver como você se sai Pavão Negro.

Lord ri.

— Se viu meus olhos terá a chance única de saber o que eles podem fazer.  Comenta Lord. — Olhar de fogo! Suavemente anuncia o Pavão Negro.

Sig sente o ambiente ao seu redor subitamente aumentar de temperatura, e age rapidamente.

— Outra Dimensão!

Sig e Lord surgem no espaço-tempo para a surpresa do cavaleiro negro.

— O que é isso ... Quer me prender aqui? Zomba Lord. — Meus olhos me guiarão de volta.

Lord estava confiante na sua habilidade, mas Sig ri.

— Seus olhos não o tirarão dessa dimensão. Responde Sig. — Tente o quanto quiser.

Lord tentava conectar seus olhos, mas nada conseguia, e na vila a sensação de vigilância cessara por momentos. O cavaleiro negro estava irritado.

— Tire-me daqui. Esbraveja Lord. — Mergulho do Abismo!

A aura do pavão negro se inflama, mas nada acontece.

— Como!? Lord estava ainda mais irritado.

Sig transporta a todos de volta, a base da montanha de Gales.

— Agora que está em meus domínios você sentirá o meu poder, cavaleiro. Afirma Lord.

O cavaleiro acende seu cosmo negro, concentra, e reativa seus cem olhos espalhados por toda a vila, mas novamente nada acontece.

— O que é isso!? Esbraveja Lord. — Aconteceu de novo. Mês olhos, onde estão?

— Eles estão no mesmo lugar. Responde Sig. — Mas não pode controlá-los. Ao te enviar para a outra dimensão cortei seus laços com eles, e como eu te controlo agora são meus olhos.

— Maldito! Furioso grita Lord. — Acabarei com você agora! Mergulho do Abismo!

Lord parte para cima de Sig, numa velocidade que causa o oponente uma ilusão. Ele surge por trás do aurum e projeta os dois corpos para o alto. Repentinamente o movimento é revertido, e como numa investida contra o solo os corpos são arremessados ao chão. Há uns cem metros do solo Lord se desvincula de Sig e pousa levemente.

Lord aguarda a queda do corpo de Sig, mas nada acontece. Os segundos passam e o cavaleiro negro não entende.

Momentos depois Sig pousa ainda mais leve que Lord.

— Interessante sua técnica, pavão negro. Comenta Sig. — Mas uma técnica já vista não funciona.

— Como!? Lord não entendia. — Você não a viu!

— Eu vi.  Retruca Sig. — No vortex do espaço-tempo tudo é diferente. Eu vi sua técnica e me esquivei. Você nem percebeu. Aquela dimensão é meu território.

— Desgraçado! O cavaleiro negro estava atônito, pois não sabia como agir contra Sig.

— Mas chega disso! Dimensão! Define Sig.

Todo o pé da montanha é reconstruído numa dimensão paralela. Todos estavam assustados, mas partem juntos contra Sig.

— Coitados! Zomba Sig. — Explosão Galáctica!

Lord estava apavorado com o poder de Sig.

— Então esse é o poder de um guerreiro dourado, Sig de Gêmeos? Indaga Lord.

Sig ri.

— Você me conhecia? Brinca Sig. — Não acreditei que tinha ficado em dúvida sobre mim.  Senti seus olhos desde quando cheguei, e deixei que vissem um pouco.

— Sempre se vangloriando! Comenta Lord.

O aurum olha o ambiente e só vê o cavaleiro negro.

— Prometi a um jovem que sofreriam muito. Comenta Sig. — Parece que só falta você.

— Pensa que vencerá? Lord estava confiante. — Vi sua técnica. Vamos! Punho Negro!

— Explosão Galáctica! Libera Sig sua cosmoenergia!

Lord desvia da rajada de energia de Sig, mas o aurum aparece detrás do cavaleiro negro.

— Desculpe, mas precisei ser mais cuidadoso desta vez. Comenta Sig. — Explosão Galactica!

Sig explode a energia de seu punho nas costas de Lord. A luz ofusca tudo, e junto a luz refletida na crystalus de Lord, os olhos do pavão negro se dissipam.  A ilusão da dimensão alternativa se encerra, e pelas árvores podia-se ser o impacto dos três momentos em que Sig utilizou sua técnica suprema.

Aquela batalha estava terminada, mas o cavaleiro negro de pavão não seria o único. As pessoas estavam em perigo, e Atena precisava ser avisada.

Sig se teletransporta para casa, e os ares de paz pairavam em Gales com o dissipar do medo negro vindo da floresta e da montanha.

Os dias seguem e as pessoas, livres da vigilância e da pressão do cosmo negro de Lord adentram a floresta, encontrando um antigo templo consagrado a Atena em tempos antigos.

Sig, Teon, Lyra e Atena teriam um importante assunto a tratar. Uma nova ameaça ira por a prova a força dos cavaleiros, amazonas, aurum e auras da deusa.


A NOVA MISSÃO EM GALES TROUXE A TONA MUITO MAIS QUE RECRUTAS. A DESCOBERTA DE NOVOS INIMIGOS MOVIMENTARÁ O SANTUÁRIO NOVAMENTE APÓS A GRANDE GUERRA SANTA.